quinta-feira, 5 de março de 2015 0 comentários

Uma interpretação exegética de João 10.26


Respondendo a calvinistas que usam o texto de João 10 v 26 para dizer que Deus não quer salvar a todos. O texto é esse:
Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito (Jo 10.26).
Há quase unanimidade entre os calvinistas de que este verso ensina que algumas pessoas não creem porque não fazem parte dos eleitos de Deus, porque foram reprovados.Alguns comentaristas têm sugerido uma inversão nas orações, dizendo que poderia muito bem ser dito que aqueles a quem Jesus se referia não eram das ovelhas porque não criam. O texto, na verdade, não permite esta inversão. Eles não criam porque não eram das ovelhas, e não o contrário. O ponto a ser analisado aqui é: o que Jesus quis dizer por “ovelhas”?
Estaria Ele falando daqueles que foram escolhidos incondicionalmente desde a eternidade, como entendem os calvinistas? O verso não nos diz. Mas podemos ver alguns sinais característicos das ovelhas: elas ouvem a voz de Jesus e O segue (v. 27).
Antes de mais nada, seria um tanto improvável que Jesus estivesse querendo dizer que eles eram reprovados, que estavam condenados ao fogo eterno e que não havia nenhuma possibilidade deles crerem, visto que o próprio Jesus estimula-os à fé logo após (v. 38). Outra razão para a improbabilidade desta interpretação é que Jesus estaria eliminando todo incentivo para os seus ouvintes confiarem nele, pois nenhum deles se importaria em segui-lo sabendo que faz parte dos reprovados.
Na verdade, Jesus não estava dizendo que a razão da sua incredulidade era que eles foram rejeitados para salvação, mas que eles não tinham a mesma disposição daqueles que ouviam Sua voz e O seguiam: “Pessoas desta personalidade facilmente conhecem, pela natureza de minha doutrina e milagres, quem eu sou, e por conseguinte prontamente creem em mim e me seguem.”[3] Mesmo depois de tantos sinais que Jesus fez no meio deles, eles ainda perguntam a Jesus: “Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.” (v. 24) Essa declaração era uma prova de que eles não faziam parte do rebanho de Cristo. Jesus, então, lhes responde, “vós não credes porque não sois das minhas ovelhas” (v. 26), exatamente porque eles não faziam parte daqueles que vinham na intenção de ser instruídos e guiados por Ele, mas estavam apenas tentando encontrar em Suas palavras algo que pudessem acusá-lo de blasfêmia (v. 33).
Anthony Hoekema é de opinião contrária à maioria dos calvinistas. Ele corretamente interpreta o versículo em análise:
“O fato de que esses judeus não criam em Jesus é citado aqui como evidência de que não pertenciam ao rebanho de Cristo. Não significa necessariamente que fosse impossível que alguns deles se tornassem crentes. No momento, porém, eles não criam, revelando que não pertenciam, pelo menos no presente, ao rebanho de Cristo.”

quarta-feira, 4 de março de 2015 0 comentários

Será que os Primeiros Pais Cristãos Ensinaram o Calvinismo?

Jack Cottrell

PERGUNTA: Alguns dizem que as doutrinas do Calvinismo não começaram com João Calvino, nem mesmo com Agostinho (falecido em AD 430). Antes, eles afirmam que as doutrinas TULIP estão presentes por todos os escritos dos pais da igreja desde o início. Um calvinista que diz isso é Michael Horton, em um apêndice de seu livro, Putting Amazing Back into Grace (Baker, 2002). O que você diz sobre isso?

RESPOSTA: Li uma grande parte (não tudo) dos pais pré-nicenos, nicenos e pós-nicenos e o fiz com os meus sensores calvinistas e não-calvinistas em alerta máximo. Acredito que a minha conclusão é válida, que as doutrinas calvinistas TULIP se originaram com Agostinho e, portanto, não estão presentes nos pais pré-agostinianos.

Eu examinei os textos citados por Horton e não vi nada que me faça mudar de ideia. Não é fácil avaliar os textos que ele cita dos pais da igreja, uma vez que ele não dá outros dados bibliográficos além do nome do escritor e uma data aproximada. Ele não diz qual tradução em inglês está usando e parece não ter feito nenhuma tentativa de checar a tradução com a versão original grega ou latina.

Decidi fazer alguma confrontação por conta própria. Sob os textos citados que supostamente apoiam a “Eleição Incondicional,” Horton cita Clemente de Roma, alegando que a carta de Clemente foi escrita no ano 69 (várias décadas antes do que a maioria dos estudiosos a colocariam). Parte da citação diz: “Visto que somos a porção eleita especial de um Deus Santo, vamos fazer todas as coisas que dizem respeito à santificação.”

Achei essa declaração no capítulo 30 da carta de Clemente.  O grego diz, hagiou oun meris hyparchontes poiēsōmen ta tou hagias mou panta. O fato é que não há palavras gregas correspondentes a “eleita especial” nesta declaração de Clemente. Todo o conceito de eleição é atribuído a esta citação. Além disso, devemos notar que o contexto da declaração não tem nada a ver com eleição.

Outra citação de Clemente, em apoio à Perseverança dos Santos (a doutrina P), é dada assim por Horton: “É a vontade de Deus que todos que ele ama participem do arrependimento e assim não pereçam com os incrédulos e impenitentes. Ele estabeleceu isto por sua onipotente vontade. Mas se qualquer um daqueles a quem Deus deseja que participe da graça do arrependimento possa perecer posteriormente, onde está a sua onipotente vontade? E como esta questão é definida e estabelecida por essa sua vontade?”

Tive muita dificuldade ao tentar encontrar a seção da qual esta citação supostamente vem. A mais próxima que vi está no capítulo 8. Aqui Clemente cita vários textos do Antigo Testamento onde Deus declara seu desejo pelo arrependimento do ímpio Israel, especialmente usando Isaías 1. Então Clemente diz, “Desejando, portanto, que todos os seus amados sejam participantes do arrependimento, ele, por sua onipotente vontade, estabeleceu....” O texto termina aqui; ele não diz o que Deus estabeleceu; a tradução que eu usei acrescenta as palavras, “essas declarações,” ou seja, as citações do Antigo Testamento. O texto grego diz, pantas oun tous agapētous autou boulomenos metanoias metaschein estērizen to pantokratorikō boulēmati autou. A “citação” conforme citada por Horton nem mesmo chega perto do que o original está dizendo. Dizer que ela apoia a “Perseverança dos Santos” é pura fantasia; ela também ignora o contexto.

Outro antigo documento citado várias vezes por Horton é a assim chamada Epístola de Barnabé, que ele data como A.D. 70 e a atribui ao “companheiro de Paulo” no Livro de Atos. (Poucos estudiosos, se houver, concordariam com isso.) Ele cita esta declaração de Barnabé como apoio à “Incapacidade Humana” (ou seja, a Depravação Total): “Aprendei: antes de crermos em Deus, a habitação do nosso coração era corrupta e fraca.” Esta tradução parece estar correta, mas a única coisa que ela estabelece é que “Barnabé” acreditava que os corações dos homens são depravados, o que não é o mesmo que Depravação TOTAL. A citação, portanto, não prova nada.

Horton diz que a seguinte citação de “Barnabé” ensina a Eleição Incondicional assim: “Somos eleitos para a esperança, comissionados por Deus para a fé, nomeados para a salvação.” Não consegui encontrar esta citação em nenhum lugar da Epístola de Barnabé. Mas mesmo que estivesse lá, a descrição dos cristãos como “eleitos” não é Calvinismo; esta é uma linguagem do Novo Testamento bastante comum. A distorção calvinista é adicionar a palavra incondicional e não há nada desta natureza na alegada citação que Horton atribui a Barnabé.

Para citar mais uma, Horton diz que esta declaração de Barnabé mostra que ele cria na Graça Irresistível: “Deus nos dá arrependimento, nos introduzindo no templo incorruptível.” Esta tradução parece estar correta, mas, novamente, isso não está dizendo nada além do que é afirmado na Bíblia, ou seja, que Deus nos dá oportunidade de arrependimento. (Veja o meu livro,  The Faith Once for All, pp. 199-200.) Dizer que Barnabé por meio desta citação está afirmando a doutrina calvinista da Graça Irresistível não somente está exagerando na afirmação, como também está ignorando o seu contexto.

É uma erudição extremamente pobre expor uma série de citações, como Horton faz, com pouca documentação, sem aparentemente nenhuma confrontação dos textos com os originais e sem nenhuma consideração dos contextos das declarações. Também é importante levar em consideração os ensinamentos gerais destes escritores, o que colocarão as citadas citações em perspectiva. Por exemplo, enquanto os pais da igreja certamente falam dos cristãos como sendo “eleitos” ou como sendo predestinados à salvação, é evidente de seu ensino geral que eles criam que Deus predestina de acordo com a sua presciência. (Veja a minha nota anterior no Facebook, “Quando Será que o Calvinismo Começou?,” publicado no início de junho de 2011.)

Como estudante de teologia, quando li pela primeira vez os pais apostólicos, fiz anotações nas margens de todas as passagens que contradizem as doutrinas do Calvinismo. As margens de minha velha edição de Lightfoot estão cheias das letras T, U, L, I, e P, indicando declarações que mostram que estes escritores NÃO acreditavam nos cinco pontos. Estes são os tipos de declarações que a lista de Horton ignora.

Fonte: http://www.facebook.com/note.php?note_id=10150262161600617

Tradução: Cloves Rocha dos Santos

Fontes: http://www.arminianismo.com/backupsite/index.php/categorias/diversos/artigos/20-jack-cottrell/1339-jack-cottrell-sera-que-os-primeiros-pais-cristaos-ensinaram-o-calvinismo
domingo, 1 de março de 2015 0 comentários

ISAÍAS 45.7 - Deus é o autor do mal?

ISAÍAS 45.7 – Deus é o autor do mal?

PROBLEMA: De acordo com este versículo, Deus forma a luz e cria as trevas, faz a paz e cria o mal (cf. também Jr 18:11 e Lm 3:38; Am 3:6). Mas muitos outros textos das Escrituras nos informam que Deus não é mau (1 Jo 1:5), que ele não pode nem mesmo ver o mal (Hc 1:13), nem pode ser tentado pelo mal (Tg 1:13).
SOLUÇÃO: A Bíblia é clara ao dizer que Deus é moralmente perfeito (cf. Dt 32:4; Mt 5:48), e que lhe é impossível pecar (Hb 6:18). Ao mesmo tempo, sua absoluta justiça exige que ele puna o pecado. Este juízo assume ambas as formas: temporal e eterna (Mt 25:41; Ap 20:11-15).
Na sua forma temporal, a execução da justiça de Deus às vezes é chamada de “mal”, porque parece ser um mal aos que estão sujeitos a ela (cf. Hb 12:11). Entretanto, a palavra hebraica correspondente a “mal” (rá) empregada no texto nem sempre tem o sentido moral. De fato, o contexto mostra que ela deveria ser traduzida como “calamidade” ou “desgraça”, como algumas versões o fazem (por exemplo, a BJ). Assim, se diz que Deus é o autor do “mal” neste sentido, mas não no sentido moral – pelo menos não de forma direta.
Além disso, há um sentido indireto no qual Deus é o autor do mal em seu sentido moral. Deus criou seres morais com livre escolha, e a livre escolha é a origem do mal de ordem moral no universo. Assim, em última instância Deus é responsável por fazer criaturas morais, que são responsáveis pelo mal de ordem moral. Deus tornou o malpossível ao criar criaturas livres, mas estas em sua liberdade fizeram com que o mal se tornasse real. E claro que a possibilidade do mal (i.e., a livre escolha) é em si mesma uma boa coisa.
Portanto, Deus criou apenas boas coisas, uma das quais foi o poder da livre escolha, e as criaturas morais é que produziram o mal. Entretanto, Deus é o autor de um universo moral, e neste sentido indireto, ele, em última instância, é o autor da possibilidade do mal. É claro, Deus apenas permitiu o mal, jamais o promoveu, e por fim irá produzir um bem maior através dele (cf. Gn 50:20; Ap 21-22).
A relação de Deus com o mal pode ser resumida da seguinte maneira:
DEUS NÃO É O AUTOR DO MAL
DEUS É O AUTOR DO MAL
No sentido de pecado
No sentido de calamidade
Mal de ordem moral
Mal de ordem não moral
Perversidade
Pragas
Diretamente
Indiretamente
Concretização do mal
Possibilidade do mal
Extraído do livro MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler – Thomas Howe

quinta-feira, 5 de março de 2015

Uma interpretação exegética de João 10.26


Respondendo a calvinistas que usam o texto de João 10 v 26 para dizer que Deus não quer salvar a todos. O texto é esse:
Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito (Jo 10.26).
Há quase unanimidade entre os calvinistas de que este verso ensina que algumas pessoas não creem porque não fazem parte dos eleitos de Deus, porque foram reprovados.Alguns comentaristas têm sugerido uma inversão nas orações, dizendo que poderia muito bem ser dito que aqueles a quem Jesus se referia não eram das ovelhas porque não criam. O texto, na verdade, não permite esta inversão. Eles não criam porque não eram das ovelhas, e não o contrário. O ponto a ser analisado aqui é: o que Jesus quis dizer por “ovelhas”?
Estaria Ele falando daqueles que foram escolhidos incondicionalmente desde a eternidade, como entendem os calvinistas? O verso não nos diz. Mas podemos ver alguns sinais característicos das ovelhas: elas ouvem a voz de Jesus e O segue (v. 27).
Antes de mais nada, seria um tanto improvável que Jesus estivesse querendo dizer que eles eram reprovados, que estavam condenados ao fogo eterno e que não havia nenhuma possibilidade deles crerem, visto que o próprio Jesus estimula-os à fé logo após (v. 38). Outra razão para a improbabilidade desta interpretação é que Jesus estaria eliminando todo incentivo para os seus ouvintes confiarem nele, pois nenhum deles se importaria em segui-lo sabendo que faz parte dos reprovados.
Na verdade, Jesus não estava dizendo que a razão da sua incredulidade era que eles foram rejeitados para salvação, mas que eles não tinham a mesma disposição daqueles que ouviam Sua voz e O seguiam: “Pessoas desta personalidade facilmente conhecem, pela natureza de minha doutrina e milagres, quem eu sou, e por conseguinte prontamente creem em mim e me seguem.”[3] Mesmo depois de tantos sinais que Jesus fez no meio deles, eles ainda perguntam a Jesus: “Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.” (v. 24) Essa declaração era uma prova de que eles não faziam parte do rebanho de Cristo. Jesus, então, lhes responde, “vós não credes porque não sois das minhas ovelhas” (v. 26), exatamente porque eles não faziam parte daqueles que vinham na intenção de ser instruídos e guiados por Ele, mas estavam apenas tentando encontrar em Suas palavras algo que pudessem acusá-lo de blasfêmia (v. 33).
Anthony Hoekema é de opinião contrária à maioria dos calvinistas. Ele corretamente interpreta o versículo em análise:
“O fato de que esses judeus não criam em Jesus é citado aqui como evidência de que não pertenciam ao rebanho de Cristo. Não significa necessariamente que fosse impossível que alguns deles se tornassem crentes. No momento, porém, eles não criam, revelando que não pertenciam, pelo menos no presente, ao rebanho de Cristo.”

quarta-feira, 4 de março de 2015

Será que os Primeiros Pais Cristãos Ensinaram o Calvinismo?

Jack Cottrell

PERGUNTA: Alguns dizem que as doutrinas do Calvinismo não começaram com João Calvino, nem mesmo com Agostinho (falecido em AD 430). Antes, eles afirmam que as doutrinas TULIP estão presentes por todos os escritos dos pais da igreja desde o início. Um calvinista que diz isso é Michael Horton, em um apêndice de seu livro, Putting Amazing Back into Grace (Baker, 2002). O que você diz sobre isso?

RESPOSTA: Li uma grande parte (não tudo) dos pais pré-nicenos, nicenos e pós-nicenos e o fiz com os meus sensores calvinistas e não-calvinistas em alerta máximo. Acredito que a minha conclusão é válida, que as doutrinas calvinistas TULIP se originaram com Agostinho e, portanto, não estão presentes nos pais pré-agostinianos.

Eu examinei os textos citados por Horton e não vi nada que me faça mudar de ideia. Não é fácil avaliar os textos que ele cita dos pais da igreja, uma vez que ele não dá outros dados bibliográficos além do nome do escritor e uma data aproximada. Ele não diz qual tradução em inglês está usando e parece não ter feito nenhuma tentativa de checar a tradução com a versão original grega ou latina.

Decidi fazer alguma confrontação por conta própria. Sob os textos citados que supostamente apoiam a “Eleição Incondicional,” Horton cita Clemente de Roma, alegando que a carta de Clemente foi escrita no ano 69 (várias décadas antes do que a maioria dos estudiosos a colocariam). Parte da citação diz: “Visto que somos a porção eleita especial de um Deus Santo, vamos fazer todas as coisas que dizem respeito à santificação.”

Achei essa declaração no capítulo 30 da carta de Clemente.  O grego diz, hagiou oun meris hyparchontes poiēsōmen ta tou hagias mou panta. O fato é que não há palavras gregas correspondentes a “eleita especial” nesta declaração de Clemente. Todo o conceito de eleição é atribuído a esta citação. Além disso, devemos notar que o contexto da declaração não tem nada a ver com eleição.

Outra citação de Clemente, em apoio à Perseverança dos Santos (a doutrina P), é dada assim por Horton: “É a vontade de Deus que todos que ele ama participem do arrependimento e assim não pereçam com os incrédulos e impenitentes. Ele estabeleceu isto por sua onipotente vontade. Mas se qualquer um daqueles a quem Deus deseja que participe da graça do arrependimento possa perecer posteriormente, onde está a sua onipotente vontade? E como esta questão é definida e estabelecida por essa sua vontade?”

Tive muita dificuldade ao tentar encontrar a seção da qual esta citação supostamente vem. A mais próxima que vi está no capítulo 8. Aqui Clemente cita vários textos do Antigo Testamento onde Deus declara seu desejo pelo arrependimento do ímpio Israel, especialmente usando Isaías 1. Então Clemente diz, “Desejando, portanto, que todos os seus amados sejam participantes do arrependimento, ele, por sua onipotente vontade, estabeleceu....” O texto termina aqui; ele não diz o que Deus estabeleceu; a tradução que eu usei acrescenta as palavras, “essas declarações,” ou seja, as citações do Antigo Testamento. O texto grego diz, pantas oun tous agapētous autou boulomenos metanoias metaschein estērizen to pantokratorikō boulēmati autou. A “citação” conforme citada por Horton nem mesmo chega perto do que o original está dizendo. Dizer que ela apoia a “Perseverança dos Santos” é pura fantasia; ela também ignora o contexto.

Outro antigo documento citado várias vezes por Horton é a assim chamada Epístola de Barnabé, que ele data como A.D. 70 e a atribui ao “companheiro de Paulo” no Livro de Atos. (Poucos estudiosos, se houver, concordariam com isso.) Ele cita esta declaração de Barnabé como apoio à “Incapacidade Humana” (ou seja, a Depravação Total): “Aprendei: antes de crermos em Deus, a habitação do nosso coração era corrupta e fraca.” Esta tradução parece estar correta, mas a única coisa que ela estabelece é que “Barnabé” acreditava que os corações dos homens são depravados, o que não é o mesmo que Depravação TOTAL. A citação, portanto, não prova nada.

Horton diz que a seguinte citação de “Barnabé” ensina a Eleição Incondicional assim: “Somos eleitos para a esperança, comissionados por Deus para a fé, nomeados para a salvação.” Não consegui encontrar esta citação em nenhum lugar da Epístola de Barnabé. Mas mesmo que estivesse lá, a descrição dos cristãos como “eleitos” não é Calvinismo; esta é uma linguagem do Novo Testamento bastante comum. A distorção calvinista é adicionar a palavra incondicional e não há nada desta natureza na alegada citação que Horton atribui a Barnabé.

Para citar mais uma, Horton diz que esta declaração de Barnabé mostra que ele cria na Graça Irresistível: “Deus nos dá arrependimento, nos introduzindo no templo incorruptível.” Esta tradução parece estar correta, mas, novamente, isso não está dizendo nada além do que é afirmado na Bíblia, ou seja, que Deus nos dá oportunidade de arrependimento. (Veja o meu livro,  The Faith Once for All, pp. 199-200.) Dizer que Barnabé por meio desta citação está afirmando a doutrina calvinista da Graça Irresistível não somente está exagerando na afirmação, como também está ignorando o seu contexto.

É uma erudição extremamente pobre expor uma série de citações, como Horton faz, com pouca documentação, sem aparentemente nenhuma confrontação dos textos com os originais e sem nenhuma consideração dos contextos das declarações. Também é importante levar em consideração os ensinamentos gerais destes escritores, o que colocarão as citadas citações em perspectiva. Por exemplo, enquanto os pais da igreja certamente falam dos cristãos como sendo “eleitos” ou como sendo predestinados à salvação, é evidente de seu ensino geral que eles criam que Deus predestina de acordo com a sua presciência. (Veja a minha nota anterior no Facebook, “Quando Será que o Calvinismo Começou?,” publicado no início de junho de 2011.)

Como estudante de teologia, quando li pela primeira vez os pais apostólicos, fiz anotações nas margens de todas as passagens que contradizem as doutrinas do Calvinismo. As margens de minha velha edição de Lightfoot estão cheias das letras T, U, L, I, e P, indicando declarações que mostram que estes escritores NÃO acreditavam nos cinco pontos. Estes são os tipos de declarações que a lista de Horton ignora.

Fonte: http://www.facebook.com/note.php?note_id=10150262161600617

Tradução: Cloves Rocha dos Santos

Fontes: http://www.arminianismo.com/backupsite/index.php/categorias/diversos/artigos/20-jack-cottrell/1339-jack-cottrell-sera-que-os-primeiros-pais-cristaos-ensinaram-o-calvinismo

domingo, 1 de março de 2015

ISAÍAS 45.7 - Deus é o autor do mal?

ISAÍAS 45.7 – Deus é o autor do mal?

PROBLEMA: De acordo com este versículo, Deus forma a luz e cria as trevas, faz a paz e cria o mal (cf. também Jr 18:11 e Lm 3:38; Am 3:6). Mas muitos outros textos das Escrituras nos informam que Deus não é mau (1 Jo 1:5), que ele não pode nem mesmo ver o mal (Hc 1:13), nem pode ser tentado pelo mal (Tg 1:13).
SOLUÇÃO: A Bíblia é clara ao dizer que Deus é moralmente perfeito (cf. Dt 32:4; Mt 5:48), e que lhe é impossível pecar (Hb 6:18). Ao mesmo tempo, sua absoluta justiça exige que ele puna o pecado. Este juízo assume ambas as formas: temporal e eterna (Mt 25:41; Ap 20:11-15).
Na sua forma temporal, a execução da justiça de Deus às vezes é chamada de “mal”, porque parece ser um mal aos que estão sujeitos a ela (cf. Hb 12:11). Entretanto, a palavra hebraica correspondente a “mal” (rá) empregada no texto nem sempre tem o sentido moral. De fato, o contexto mostra que ela deveria ser traduzida como “calamidade” ou “desgraça”, como algumas versões o fazem (por exemplo, a BJ). Assim, se diz que Deus é o autor do “mal” neste sentido, mas não no sentido moral – pelo menos não de forma direta.
Além disso, há um sentido indireto no qual Deus é o autor do mal em seu sentido moral. Deus criou seres morais com livre escolha, e a livre escolha é a origem do mal de ordem moral no universo. Assim, em última instância Deus é responsável por fazer criaturas morais, que são responsáveis pelo mal de ordem moral. Deus tornou o malpossível ao criar criaturas livres, mas estas em sua liberdade fizeram com que o mal se tornasse real. E claro que a possibilidade do mal (i.e., a livre escolha) é em si mesma uma boa coisa.
Portanto, Deus criou apenas boas coisas, uma das quais foi o poder da livre escolha, e as criaturas morais é que produziram o mal. Entretanto, Deus é o autor de um universo moral, e neste sentido indireto, ele, em última instância, é o autor da possibilidade do mal. É claro, Deus apenas permitiu o mal, jamais o promoveu, e por fim irá produzir um bem maior através dele (cf. Gn 50:20; Ap 21-22).
A relação de Deus com o mal pode ser resumida da seguinte maneira:
DEUS NÃO É O AUTOR DO MAL
DEUS É O AUTOR DO MAL
No sentido de pecado
No sentido de calamidade
Mal de ordem moral
Mal de ordem não moral
Perversidade
Pragas
Diretamente
Indiretamente
Concretização do mal
Possibilidade do mal
Extraído do livro MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler – Thomas Howe
 
;