segunda-feira, 21 de abril de 2014 0 comentários

William Lane Craig: Determinismo, Compatibilismo e Molinismo



Pergunta 157

Perplexo com os Calvinistas

William Lane Craig

Dr. Craig,

Estou perplexo com o grande número de calvinistas que vejo que são líderes cristãos incrivelmente inteligentes e confiáveis. O que eu quero dizer é que, muitos parecem ser capazes de uma extensa análise (bem mais do que eu), mas parecem enfiar suas cabeças na areia quando chegam no problema do mal. Quando não fazem isso, eles tendem a fazer de Deus um ser auto-contraditório. Por que o senhor acha que isso acontece?

Também estou pessoalmente perplexo com a pequena quantidade de líderes que estão adotando o Molinismo. Parece-me que ele responde a maioria das perguntas e é o que cria menos problemas. Entendo que ele pode ser complexo, mas eu não pensaria que podemos simplesmente descansar com o problema do mal não sendo respondido. Não fundamento o que creio nas crenças dos outros, mas não podemos ignorar a influência que outros têm em nossas vidas, ou o desejo de estar em harmonia com eles no que diz respeito a estas opiniões.

De qualquer forma, eu apreciaria suas considerações... como sempre aprecio.

Gordon.

Dr. Craig responde:

Penso que você tem razão, Gordon, que muitos líderes cristãos inteligentes e religiosos são reformados, ou seguidores de João Calvino, em sua teologia. Atualmente estou participando de um livro de quatro pontos de vista sobre a providência divina juntamente com dois teólogos reformados. É evidente de suas contribuições que, apesar dos quebra-cabeças intelectuais levantados pela visão reformada, ambos a adotam porque estão convencidos de que ela representa mais fielmente o ensino da Escritura sobre o assunto, a Escritura sendo a única regra autoritária de fé.

Na verdade, eu não tenho problema com certas afirmações clássicas da visão reformada. Por exemplo, a Confissão de Westminster (Capítulo III) declara que

Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.

Agora, isto é exatamente o que crê o molinista! A Confissão afirma a preordenação de Deus de tudo quanto acontece assim como a liberdade e contingência da vontade da criatura, de forma que Deus não é o autor do pecado. É trágico que ao rejeitar o conhecimento médio os teólogos reformados se isolam da explicação mais clara da coerência desta maravilhosa confissão.

Rejeitando uma doutrina da providência divina baseada no conhecimento médio de Deus, os teólogos reformados são simples e reconhecidamente deixados com um mistério. O grande teólogo reformado do séc. 17 Francis Turretin cria que uma análise cuidadosa da Escritura leva a duas conclusões indubitáveis, ambas as quais devem ser mantidas em tensão sem comprometer uma ou outra:

que Deus por um lado, por sua providência, não apenas decretou, mas mais certamente assegura, o acontecimento de todas as coisas, sejam livres ou contingentes; por outro lado, entretanto, o homem é sempre livre para agir e muitos efeitos são contingentes. Embora eu não consiga entender como eles possam estar interligados, todavia (por causa da ignorância do modo) este fato não deve (que é certo a partir de outra fonte, isto é, da Palavra) ser colocado em dúvida ou completamente negado (Institutes of Elenctic Theology, 1:512).

Aqui Turretin afirma sem conciliação tanto a soberania de Deus quanto a liberdade humana e a contingência; eles apenas não sabe como encaixá-las. O Molinismo oferece uma solução. Rejeitando essa solução, o teólogo reformado é deixado com um mistério.

Não há nada de errado com mistério per se (a interpretação física correta da mecânica quântica é um mistério!); o problema é que alguns teólogos reformados, como meus dois colaboradores no livro de quatro pontos de vista, tentam resolver o mistério aderindo ao determinismo causal, divino, universal, e uma visão compatibilista da liberdade humana. De acordo com esta visão, a maneira que Deus soberanamente controla tudo que acontece é fazendo com que tudo aconteça, e a liberdade é reinterpretada para ser consistente com ser causalmente determinado por fatores fora da pessoa.

É esta visão, que afirma o determinismo universal e o compatibilismo, que se depara com os problemas que você menciona. Fazer Deus o autor do mal é apenas um dos problemas que esta visão neoreformada enfrenta. Pelo menos cinco vêm imediatamente à mente:

1. O determinismo causal, divino, universal, não pode oferecer uma interpretação coerente da Escritura. Os teólogos reformados clássicos reconhecem isto. Eles reconhecem que a conciliação de textos da Escritura que afirmam a liberdade humana e a contingência com textos da Escritura que afirmam a soberania divina é inescrutável. D. A. Carson identifica nove fluxos de textos que afirmam a liberdade humana: (1) as pessoas enfrentam inúmeras exortações e comandos divinos, (2) são-lhes ditas para obedecer, crer e escolher Deus, (3) as pessoas pecam e se rebelam contra Deus, (4) os seus pecados são julgados por Deus, (5) as pessoas são provadas por Deus, (6) as pessoas recebem recompensas divinas, (7) os eleitos são responsáveis por responder à iniciativa de Deus, (8) orações não são meras exibições escritas por Deus, e (9) Deus literalmente implora que os pecadores se arrependam e sejam salvos (Divine Sovereignty and Human Responsibility: Biblical Perspectives in Tension, pp. 18-22). Estas passagens excluem um entendimento determinista da providência divina, o que impediria a liberdade humana. Os deterministas conciliam o determinismo causal, divino, universal com a liberdade humana reinterpretando a liberdade em termos compatibilistas. O compatibilismo requer o determinismo, então não há nenhum mistério aqui. O problema é que adotar o compatibilismo alcança conciliação somente às custas de negar o que vários textos da Escritura parecem claramente afirmar: a indeterminação e contingência genuínas.

2. O determinismo causal universal não pode ser racionalmente afirmado. Há uma espécie de característica estonteante, autodestrutiva no determinismo. Pois se alguém vem a crer que o determinismo é verdadeiro, ele tem que crer que a razão que veio a crer é simplesmente que ele foi determinado a assim fazer. Ele não tem de fato sido capaz de pesar os argumentos pró e contra e livremente decidir-se sobre esta base. A diferença entre a pessoa que pesa os argumentos em favor do determinismo e os rejeita e a pessoa que os pesa e os aceita é completamente que uma foi deteminada a crer por fatores causais fora de si mesma e a outra foi determinada a não crer. Quando você vem a perceber que sua decisão de crer no determinismo foi ela mesma determinada e que até sua presente percepção desse fato agora mesmo é igualmente determinado, uma espécie de falta de equilíbrio se instala, pois tudo que você pensa, inclusive este mesmo pensamento, está fora de seu controle. O determinismo poderia ser verdadeiro, mas é muito difícil de ver como ele poderia ser alguma vez racionalmente afirmado, visto que sua afirmação mina a racionalidade de sua afirmação.

3. O determinismo universal, divino faz de Deus o autor do pecado e elimina a responsabilidade humana. Em contraste com a visão molinista, na visão determinista até o movimento da vontade humana é causada por Deus. Deus move as pessoas a escolher o mal, e elas não podem fazer de outra forma. Deus determina suas escolhas e as faz comportarem-se mal. Se é mal fazer uma outra pessoa comportar-se mal, então nesta visão Deus não é apenas a causa do pecado e do mal, mas se torna Ele mesmo mau, o que é absurdo. Similarmente, toda responsabilidade humana pelo pecado foi removida. Pois nossas escolhas não dependem realmente de nós: Deus nos causa fazê-las. Nós não podemos ser responsáveis por nossas ações, pois nada que pensamos ou fazemos depende de nós.

4. O determinismo universal, divino anula a agência humana. Visto que nossas escolhas não dependem de nós mas são causadas por Deus, não se pode dizer dos seres humanos que eles são agentes reais. Eles são meros instrumentos por meio dos quais Deus age para produzir algum efeito, bem parecido com um homem usando uma vara para mover uma pedra. Obviamente, causas secundárias retêm todas as suas propriedades e poderes como causas intermediárias, como os teólogos reformados nos recorda, assim como uma vara retém suas propriedades e poderes que a torna adequada aos propósitos daquele que a usa. Pensadores reformados não precisam ser ocasionalistas como Nicholas Malebrance, que cria que Deus é a única causa que há. Mas estas causas intermediárias não são elas mesmas agentes mas meras causas instrumentais, pois elas não têm poder para iniciar uma ação. Daí, é duvidoso que no determinismo divino há realmente mais do que um agente no mundo, a saber, Deus. Esta conclusão não apenas desafia nosso conhecimento de nós mesmos como agentes mas torna inexplicável por que Deus então nos trata como agentes, nos mantendo responsáveis por aquilo que Ele nos causou e nos usou para fazer.

5. O determinismo universal, divino torna a realidade em uma farsa. Na visão determinista, todo o mundo se torna um espetáculo vão e sem sentido. Não há agentes livres em rebelião contra Deus, a quem Deus procura vencer por meio de Seu amor, e ninguém que livremente responde a esse amor e livremente dá seu amor e louvor a Deus em troca. Todo o espetáculo é uma charada cujo único fator real é o próprio Deus. Longe de glorificar a Deus, a visão determinista, estou convencido, deprecia Deus por se envolver em tal charada absurda. É extremamente ofensivo a Deus pensar que Ele criaria seres que são em todos os aspectos causalmente determinados por Ele e então os trata como se eles fossem agentes livres, punindo-os pelas ações equivocadas que Ele os faz praticarem ou amando-os como se eles fossem agentes que livremente respondem. Deus seria como uma criança que arranja seus soldados de brinquedo e os move ao redor de seu mundo de brincadeira, fingindo que eles são pessoas reais cujas ações não são de fato suas e fingindo que eles merecem louvor ou culpa. Estou certo que os deterministas reformados, em contraste com os teólogos reformados clássicos, ficarão indignados com tal comparação. Mas por que ela não é adequada para a doutrina universal, divina, causal é um mistério para mim.

Então, por que tantos líderes cristãos inteligentes e fiéis aceitam o Calvinismo? Penso que o tipo de Calvinismo representado pela afirmação citada acima da Confissão de Westminster é um resumo fiel do ensino da Escritura e portanto deveria ser crido. É somente quando alguém vai além dele para tentar resolver o mistério adotando o determinismo e o compatibilismo que ele se envolve em dificuldades. Por isso, na medida em que estes líderes cristãos estão contentes em permanecer com o mistério, penso que eles têm uma posição razoável. A vasta maioria deles têm provavelmente pouco entendimento do Molinismo e portanto são apenas insuficientemente informados para tomar uma decisão. Alguns anos atrás eu discursei no Seminário de Westminster em San Diego sobre o conhecimento médio, e na metade do período de Perguntas e Respostas após minha palestra, um dos professores disse, “Estou envergonhado de dizer, Dr. Craig, que não somos ainda capazes de discutir este assunto com o senhor porque não estamos completamente familiarizados com o que o senhor está dizendo.” Ele estava envergonhado que como um teólogo profissional ele estava tão desinformado destes debates. Em contrapartida, alguns teólogos que pertencem à tradição reformada têm passado para o Molinismo. Quando proferi as palestras Stob no Calvin College and Seminary, fiquei chocado quando os teólogos no seminário me disseram que todos eles eram molinistas! Cada vez mais encontro pessoas que estão tomando o rumo molinista (tanto do lado calvinista quando teísta aberto!)

Então, não seja duro demais com os nossos irmãos calvinistas. Ofereça-lhes algo melhor, e espere que eles o adotem.


Tradução: Paulo Cesar Antunes
quarta-feira, 9 de abril de 2014 0 comentários

As I Lay Dying: Confirma hiato e novos projetos.

A banda As i Lay Dying publicou em seu site oficial, a confirmação do hiato da banda e dois novos projetos. Explicando a situação da banda e o futuro dos integrantes e do próprio Tim Lambesis, que segundo a banda, ele está retornando a sua fé cristã. Espero que sim, todo ser humano tem o direito de acreditar no que quiser, e torço pra que o Tim se recupere de fato.

Confira abaixo a mensagem:
"Houveram muitas perguntas dos fãs durante o último ano e esperamos respondê-las com o passar do tempo. Entretanto, essa atualização serve apenas para tratar sobre o futuro do AILD.
Inicialmente, nós afirmamos que falaríamos assim que tivéssemos mais informações. Pedimos desculpa por não cumprir isso. Na época parecia ser melhor esperar até tudo se concretizar. Entretanto, devido a especulação em outros sites, uma atualização feita por nós parece ser a melhor coisa para deixar certas coisas claras.
Um bom ponto de partida é corrigir algumas coisas que foram reportadas de forma errada. O Tim não era mais cristão na época que ele foi preso, e nem o As I Lay Dying uma banda cristã em 2013. Fazia um bom tempo que não éramos e, até onde eu sei, apenas um dos integrantes afirmava ser cristão na época. Essa mudança de visão foi escrita em várias músicas do As I Lay Dying e a visão do Tim como alguém ateu foi documentado em alguns registros do tribunal. Entretanto, a manchete no jornal relatando a prisão de "ex-cristão de banda de subgênero de metal" não fica tão bem quanto "Rockstar cristão de banda indicada ao Grammy".
Com isso, não sabemos como cada músico das eras anteriores do As I Lay Dying pensará sobre esses assuntos no futuro. O Tim passou a maior parte do ano passado reavaliando aquilo que fez ele abandonar a sua crença em Deus. Pelo que me passaram, depois de muito arrependimento e quebrantura, ele se considera um seguidor de Jesus e alguém que está dedicado a vontade de Deus, ou o que vocês quiserem chamar isso. Isso é algo que ele deverá falar quando sentir confortável e só o tempo dirá se ele diz isso com sinceridade. O que é certo é que é impossível encarar os eventos do ano passado sem enfrentar alguma mudança.  
Incertezas à frente...
O As I Lay Dying foi originalmente fundada pelo Tim e com o passar do tempo seu nome foi parcialmente passado ao Jordan. Como os dois integrantes oficiais, nenhum dos dois gostaria de seguir em frente com a banda, independentemente da sentença do Tim (que ainda será definida / não será 9 anos). Houve muita conversa para estabelecer algumas diferenças sobre o que deve ser feito em um futuro distante. E isso mantém o futuro do AILD no limbo. A versão da banda que está hibernando é apenas dos dois proprietários do As I Lay Dying, ou seja, o Tim e o Jordan. Essa incerteza se dá pelo fato de que não sabemos o futuro e nem quem estará com o grupo quando/se esse tempo chegar. Cerca de 20 caras já passaram pela posição de guitarrista ou baixista da banda ao longo da história. A atual formação não garante que ex-integrantes conversem no futuro, mas faz sentido agora deixar o AILD como algo do Tim e do Jordan.
Duas opiniões...
O Tim reconheceu a sua culpa e claramente tomou decisões erradas durante um período de tempo em que ele se comportou de uma forma contrária à pessoa que ele foi na maior parte da sua vida. Ele acredita que a banda deve voltar apenas se for um retomada às raízes. Para ele, o potencial de trabalhar novamente com o AILD significa trabalhar em muitas outras coisas que são mais importantes na vida dele primeiro.
Por outro lado, o Jordan sente algo diferente em relação ao futuro. Mesmo que isso fosse discutido mais um pouco, ele prefere tomar o tempo atual para buscar outras coisas. Isso inclui lançar músicas novas com três caras da formação mais recente do As I Lay Dying. É uma chance pro Jordan participar mais do processo de criação das músicas e aproveitar outros estilos que ele gostaria de tocar. Pra falar a verdade, essa banda já gravou seu primeiro álbum e eu tenho certeza que será incrível. A ideia não é substituir o As I Lay Dying, porque é algo de um estilo diferente e uma outra banda. Interessantemente, o vocalista deles também é um ex-cristão, como os companheiros de banda e é/era o guitarrista da banda Oh Sleeper (Shane Blay). Eles lançarão o trabalho pela Metal Blade, que será uma combinação interessante devido à abordagem menos pesada da banda.
Em termos da música, o Tim não quer mais viver a vida de músico, independentemente de qual será a sentença dele, que, com certeza, não será para sempre, mas mesmo assim, viver em turnês não parece algo saudável ou prático devido a nova forma como encara a vida e seus objetivos. Criar músicas novas é a parte que o Tim mais  gosta e algo que ele sempre estará fazendo. Isso inclui muitas das coisas que ele gravou nos últimos seis meses e o novo projeto que será anunciado em breve. Para os curiosos, posso falar que é bom ouvir ele tocando guitarra novamente e escrevendo muitos riffs novamente como ele fez nos primeiros cinco álbuns do As I Lay Dying.
Com isso, esperamos ter tratado das maiores dúvidas sobre o As I Lay Dying. Como falei acima, a banda está dormindo e não morta. Existem dois projetos que serão lançados, enquanto a banda pode ou não acordar novamente."

segunda-feira, 7 de abril de 2014 0 comentários

As i Lay Dying: retorna as atividades


"Os integrantes do As I Lay Dying publicaram em seus perfis do facebook, um pequeno trecho de uma nova música da banda, que depois de um hiato e várias especulações sobre o seu termino, deixou claro que a banda estará retornando às atividades. Mas, agora sem o Tim Lambesis que foi condenado a 9 anos de prisão por planejar a morte de sua ex-mulher."Diante disso, fica a pergunta:
Quem será o novo vocalista?
Sobre isso, a banda ainda não se pronunciou, mas há boatos que o Josh (baixista) assuma de vez o vocal.
Fontes:  http://mpsirock.com.br/noticias/detalhe/as-i-lay-dying-lanca-previa-de-nova-musica
Curtam: https://www.facebook.com/Cristianismounderground
sexta-feira, 4 de abril de 2014 0 comentários

A.W Tozer: Livre-arbitrio

O Livre Arbítrio – A.W. Tozer

É INERENTE à natureza humana que a sua vontade tem de ser livre. Feito à imagem de Deus, que é completamente livre, o homem deve gozar certa medida de liberdade. Esta o capacita a escolher os seus companheiros para este mundo e para o porvir; capacita-o a sujeitar a sua alma a quem ele quiser, a aliar-se a Deus ou ao Diabo, a continuar pecador ou tornar-se santo.
E Deus respeita esta liberdade. Outrora Deus viu tudo que tinha feito, e eis, era muito bom. Achar defeito na menor coisa que Deus fez é achar defeito no seu Criador. É falsa humildade lamentar que Deus trabalhou imperfeitamente quando fez o homem à Sua imagem. Fora o pecado, não há nada na natureza humana pelo que pedir desculpas. Isso foi confirmado para sempre quando o Filho Eterno encarnou assumindo permanentemente a carne humana.
Tão alta consideração Deus tem pela obra das Suas mãos, que por nenhum motivo lhe fará violência. Para Deus, passar por cima da liberdade do homem e força-lo a agir contrariamente à sua vontade seria escarnecer da imagem de Deus no homem. Deus jamais fará isso.
O nosso Senhor interessou-se pelo rico e jovem governante quando este se retirou, mas não o seguiu nem exerceu coerção sobre ele. A dignidade da humanidade do jovem proibia que outro fizesse por ele as suas escolhas. Para permanecer homem, ele tinha de fazer as suas escolhas morais; e Cristo sabia disso e lhe permitiu que seguisse o caminho que escolheu. Se esta escolha humana o levou finalmente para o inferno, pelo menos foi para lá como homem; e para o universo moral, era melhor ele fazer isso do que ir iludido para o céu que ele não escolheu, como um autômato sem alma e sem vontade.
Deus dará nove passos em direção a nós, porém não dará o décimo. Ele nos inclinará ao arrependimento, mas não poderá arrepender-se por nós. É da essência do arrependimento que só se dê com aquele que cometeu o ato do qual se arrepender. Deus pode ficar à espera do homem que pecou; pode sustar o julgamento; pode exercer paciente tolerância a ponto de parecer relaxado em Sua administração judicial; mas não pode forçar o homem a arrepender-se. Fazê-lo seria violar a liberdade do homem e esvaziar o dom que originariamente Deus lhe outorgara.
Onde não liberdade de escolha não pode haver nem pecado nem retidão, porque é da natureza de ambos que sejam voluntários. Por melhor que seja um ato, não será bom se for imposto de fora. O ato de imposição destrói o conteúdo moral do ato e o torna nulo e vazio.
Para que um ato seja pecaminoso é preciso que também esteja presente o seu caráter voluntário. Pecado é a prática voluntária de um ato que se sabe contrário à vontade de Deus. Onde não há conhecimento moral ou onde não há escolha voluntária, o ato não é pecaminoso; não pode ser, pois o pecado é a transgressão da lei, e transgressão tem de ser voluntária.
Lúcifer se tornou Satanás quando fez a sua escolha fatídica: “Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaias 14.14). Claramente se vê aí uma escolha feita contra a Luz. Tanto o conhecimento como a vontade estavam presentes no ato. Inversamente, Cristo revelou a Sua santidade quando bradou em Sua agonia: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a Tua” (Lucas 22.42). Vê-se aí uma escolha deliberada, feita com pleno conhecimento das consequências. Ali duas vontades estiveram em conflito temporário, a vontade inferior do homem que era Deus, e a vontade mais elevada do Deus que era homem, e a vontade superior prevaleceu. Viu-se ali também, em evidente contraste, a enorme diferença entre Cristo e Satanás; e essa diferença separa o santo do pecador, e o céu do inferno.
Mas alguém pode perguntar: “Quando oramos: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a Tua”, não estamos esvaziando a nossa vontade e nos recusando a exercer o próprio poder de escolha que faz parte da imagem de Deus em nós?” A resposta a essa pergunta é um rotundo NÂO, mas isso tudo merece mais explicação.
Nenhum ato que seja praticado voluntariamente constitui uma ab-rogação do livre arbítrio. Se alguém escolhe a vontade Deus, não está negando, mas, sim, exercendo o seu direito de escolha. O que ele está fazendo é admitir que não é suficientemente bom para desejar a suprema escolha, nem suficientemente sábia para fazê-la e, por esta razão, está pedindo a Outro, sábio e bom, que faça a sua escolha por ele. E para o homem decaído, este é o emprego último que deve fazer do seu livre arbítrio.
Tennyson percebeu isso e escreveu a respeito de Cristo:
És humano, Senhor, e divino és Tu.
a suprema e mais santa humanidade;
sem saber como, é nossa a nossa vontade;
é nossa, porém para fazê-la Tua.
Há boa soma de saudável doutrina nestas palavras – “é nossa a nossa vontade; é nossa, porém para fazê-la Tua”. O segredo do santo viver não está na destruição da vontade, mas em fazê-la submergir na vontade de Deus.
O verdadeiro santo é alguém que reconhece que possui o dom da liberdade oriundo de Deus. Ele sabe que jamais será espancado para obedecer, nem adulado como uma criança enjoada, para fazer a vontade de Deus; sabe que estes métodos são indignos de Deus e da sua própria alma. Sabe que é livre para fazer a escolha que quiser e, com esse conhecimento, escolhe para sempre a bendita vontade de Deus.
Retirado do livro: “Esse cristão incrível”, Editora Mundo Cristão. A.W.Tozer, pg 25-27.
Fontes: http://arminianos.wordpress.com/2011/06/12/o-livre-arbitrio-por-a-w-tozer/#more-187
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Willian Lane Craig: Molinismo e Romanos 9

Pergunta 79

Molinismo e Romanos 9

William Lane Craig

Pergunta:

Caro Dr. Craig,

Sou um ateu que atualmente está lendo Reasonable Faith, e devo começar dizendo quão encantador e desafiador seu livro tem sido até então! Estou ansioso por ler mais de suas ideias em seus outros livros também, e como membro da “oposição fiel”, meus aplausos por seu trabalho muito bem feito em busca da verdade.

Tenhos duas perguntas muito diferentes. Já antecipo os meus agradecimentos por seu tempo e consideração em abordá-las e aguardo ansiosamente sua resposta.

Em primeiro lugar, em um dos primeiros capítulos de Reasonable Faith, o senhor afirma lançar o fundamento para a ressurreição de Cristo dos mortos por Deus de forma cumulativa, construindo uma defesa da existência de um Criador divino pessoal, moral e poderoso, que é temporal com nosso universo, e então na base de sua defesa o senhor faz a afirmação de que Deus levantou Jesus dos mortos.

Ocorreu-me o pensamento, então, se seria válido a um ateu em um debate com o senhor igualmente apresentar uma defesa cumulativa para a não-existência de Deus como o senhor o definiu, e semelhante ao seu método, concluir que no máximo Jesus levantou dos mortos por meio de alguma outra coisa que não Deus, conforme proposto em sua defesa cumulativa – por meio disso concluindo que o Cristianismo é falso mesmo sendo verdadeira uma ressurreição histórica.

Obviamente eu sei que o senhor muito provavelmente sustentaria que contra-argumentos contra sua defesa são inválidos, mas estou imaginando se o senhor acha que tal método da parte de um ateu é em e de si mesmo logicamente conclusivo contra o Cristianismo se o senhor assumir a bem do argumento que todas as premissas do ateu aqui são verdadeiras.

2. Em Romanos 9, Paulo descreve Jacó e Esaú como sendo considerados amado e odiado (ou “amado menos”) antes de terem feito bem ou mal. Paulo então continua para comparar todos nós como barro moldado por um oleiro, e afirma que não é a vontade daquele que corre mas daquele que mostra misericórdia que nos salva. Paulo relata Deus dizendo a Faraó: “Eu o levantei exatamente com este propósito...” e então discute a ideia que os vasos que Deus fez para “uso comum” existem somente para o propósito de mostrar sua paciência aos seus vasos mais especiais.

Muitos reformados pensam que esta passagem mostra a dupla predestinação e a eleição incondicional, e sou forçado a concordar com eles – como também Cristo em Jo 6.65! O Deus reformado é algo que eu vejo como tirânico e indigno de adoração e de fato é difícil para alguém de fora da fé responder à interpretação calvinista de Romanos 9 com algo menos que ódio: como o proeminente estudioso reformado James White descreve este mesmo capítulo, “Eu entendo que a única forma de alguém poder crer nisto é por um ato de graça”.

Na minha opinião, isto anula o seu Molinismo, visto que ninguém pode escolher livremente Deus por si mesmo em qualquer cenário possível sem prévio auxílio de Deus. Além disso, o contexto da história relatada em João 6 mostra os discípulos abandonando Cristo, levando ao que ele diz em 6.65 e provando que Cristo não é oferecido como um dom gratuito a todos! Diante destas passagens, o que sobra para a liberdade do homem escolher Cristo?

Meus graciosos agradecimentos por seu tempo,

Darrin

Dr. Craig responde:

Permita-me dizer imediatamente, Darrin, o quanto aprecio o tom de sua carta. Embora discorde de minhas opiniões, sua carta é um modelo de civilidade, que todos nós faríamos bem em imitar. É um prazer abordar suas questões.

Em primeiro lugar, quanto à possibilidade de construir uma perspectiva ateístasobre a historicidade da ressurreição de Jesus paralela ao caso que construi para ela, me parece que esta é, de fato, a melhor esperança de sucesso do ateu. Primeiramente apresente argumentos contra o teísmo, tais como o problema do mal ou a impossibilidade de pessoas incorpóreas, de forma que quando você se voltar para a evidência da ressurreição simplesmente não haja nenhuma pessoa sobrenatural a apelar por meio de explicação.

Note, entretanto, uma diferença potencialmente significante entre os dois casos: no caso do teísmo, a evidência da ressurreição de Jesus é confirmatória do teísmo (veja o belo artigo de Timothy e Lydia McGrew na futuraBlackwell Companion to Natural Theology, ed. Wm. L. Craig e J. P. Moreland), de forma que a adição da evidência da ressurreição de Jesus serve para aumentar a probabilidade do teísmo ainda mais. Em contrapartida, para o ateu, a evidência da ressurreição tende a ser desconfirmatóriado ateísmo, de forma que ela enfraquece sua defesa original anti-teístae torna o ateísmo menos provável. Se alguém estima que a evidência da ressurreição de Jesus é muito poderosa, ela poderia justamente contrabalançar o peso da probabilidade dos argumentos que você deu para o ateísmo, de forma que no final o teísmo poderia parecer, depois de tudo, uma alternativa consideravelmente boa. De qualquer jeito, o caso para o ateísmo pareceria mais fraco após levar em consideração a evidência da ressurreição de Jesus do que antes.

Em segundo lugar, vamos falar da doutrina da eleição de Paulo em Romanos 9. Quero compartilhar com você uma perspectiva sobre o ensino de Paulo que eu penso que irá achar muito esclarecedorae animadora. Tipicamente, devido à teologia reformada, temos a tendência de ler Paulo como que limitando o escopo da eleição de Deus a uns poucos escolhidos, e aqueles que não foram escolhidos não podem reclamar se Deus em sua soberania os despreza. Penso que esta é fundamentalmente uma leitura equivocada do capítulo que faz muito pouco sentido no contexto da carta de Paulo.

Anteriormente em sua carta Paulo aborda a questão de qual vantagem há para a identidade judaica se alguém deixa de cumprir as exigências da lei (2.17-3.21). Ele diz que embora ser judeu traz grandes vantagens por ser os receptores dos oráculos revelatórios de Deus, todavia ser judeu não dá nenhum direito automático à salvação de Deus.Ao invés disso, Paulo faz a radical e chocante afirmação que “não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita” (2.28-29).

Paulo defendia que “ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei” (3.20); antes, “sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei” (3.28). Isto inclui tanto gentios quanto judeus. “Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também o Deus dos gentios? Sim, dos gentios também, visto que existe um só Deus” (3.29-30).

Você consegue perceber o que isso significava aos judeus contemporâneos de Paulo? “Cães” gentios que têm fé em Cristo podem de fato ser mais judeus do que os judeus étnicos e entrar no Reino enquanto o povo escolhido de Deusé deixado de fora! Isto seria impensável e escandaloso!

Paulo prossegue para apoiar sua opinião apelando ao exemplo de ninguém menos que Abraão, o pai da nação judaica. Abraão, Paulo explica, foi declarado justo por Deus antes que recebeu a circuncisão. “Portanto,” diz Paulo, “ele é o pai de todos os que crêem, sem terem sido circuncidados [isto é, os gentios], a fim de que a justiça fosse creditada também a eles; e é igualmente o pai dos circuncisos que não somente são circuncisos [observe a qualificação!], mas também andam nos passos da fé que teve nosso pai Abraão antes de passar pela circuncisão” (4.11-12).

Este é um ensino explosivo. Paulo começa o capítulo 9 expressando sua profunda dor porque os judeus étnicos estavam deixando de alcançar a salvação de Deus ao rejeitar o Messias [= Cristo]. Mas ele diz que não é como se a palavra de Deus tenha falhado. Antes, como vimos, “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos” (9.6-7). Ser etnicamente judeu não é suficiente; antes, deve-se ser filho da promessa – e isso, como vimos, pode incluir gentios e excluir judeus.

A problemática, então, com a qual Paulo está lutando é como o povo eleito de Deus, os judeus, pôde deixar de obter a promessa de salvação enquanto os gentios, que eram considerados pelos judeus como impuros e abomináveis, puderam, ao invés, encontrar salvação. A resposta de Paulo é que Deus é soberano. Ele pode salvar quem ele quiser, e ninguém pode objetá-lo. Ele tem liberdade para ter misericórdia de quem quer, até mesmo dos execráveis gentios, e ninguém pode reclamar de que Deus está sendo injusto.

Então – e este é o ponto crucial – quem é que Deus escolheu salvar? A resposta é: aqueles que têm fé em Cristo Jesus. Como Paulo escreve em Gálatas (que é uma espécie de Romanos abreviado), “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão” (Gl 3.7). Judeu ou gentio, isto não importa. Deus soberanamente escolheu salvar todos aqueles que confiam em Cristo Jesus para salvação.

É por isso que Paulo pode continuar em Romanos 10 e dizer, “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (10.12-13). A teologia reformada não consegue fazer nenhum sentido deste maravilhoso e universal chamado à salvação. Quem quiser pode vir.

A tarefade Paulo, então, em Romanos 9 não é limitar o escopo da eleição de Deus mas ampliá-la. Ele quer incluirtodos que têm fé em Cristo Jesus apesar de sua classificação étnica. A eleição, então, é antes de tudo uma ideia corporativa: Deus escolheu um povo para si mesmo, uma entidade corporativa, e cabe a nós por nossa resposta de fé se ou não escolhemos ser membros desse grupo corporativo destinado à salvação.

Obviamente, dada a total providência de Deus sobre os negócios dos homens, esta não é toda a história. Mas o Molinismo faz um bom sentidodo restante. Jo 6.65 significa que à parte da graça de Deus ninguém pode vir a Deus por si mesmo. Mas não há sugestão aí de que aqueles que recusaram crer em Cristo não fizeram assim de seu próprio livre-arbítrio. Deus sabe em exatamente quais circunstâncias as pessoas livremente responderão à sua graça e as coloca em circunstâncias nas quais cada um recebe graça suficiente para salvação se somente essa pessoa se beneficiará dela. Mas Deus sabe quem irá e quem não irá responder. Assim, novamente, a culpa não está em Deus que algumas pessoas livremente resistem à graça e todo o esforço de Deus para salvá-las; antes, eles, como Israel, deixaram de obter a salvação porque recusaram ter fé.


Tradução: Paulo Cesar Antunes
quinta-feira, 3 de abril de 2014 0 comentários

Notícia FALSA: Tim Lambesis Foragido?

Segundo o site metal underground, o vocalista da banda As i Lay Dying, fugiu da prisão.
Mas isso não passa de uma brincadeira do site que faz notícias falas no dia 1º de Abril.
Segue o link da explicação
http://www.metalunderground.com/news/details.cfm?newsid=101515
Segue a tradução da matéria.

Autoridades de North County Correctional Facility em Castaic , CA ter colocado para fora um boletim de - todos os pontos em Tim Lambesis e outros dois presos , que foram relatados ter escapado na noite passada.

Lambesis , que estava atualmente dois meses em uma sentença de nove anos para o comissionamento de um assassinato de aluguel, desapareceu depois de uma contagem de rotina. Ele e os outros dois presos , Jesus Ramos e Enrique Martinez , foi desaparecidos depois do jantar e recreação quintal tempo.

Os dois agentes penitenciários que faziam a verificação de beliche na ala onde os presos foram alojados notou que a casa de banho de metal havia sido removido e usado para quebrar a janela estreita na unidade Lambesis ' . Como os outros dois detentos escaparam ainda não está claro neste momento.

Autoridades montaram bloqueios de estradas na I- 5 e 1-805 que leva à fronteira mexicana perto dos cruzamentos de San Ysidro e San Diego, onde o trio possivelmente pode estar acontecendo . " Ramos e Martinez ambos têm família na área de Ensenada , ao sul da fronteira e várias ligações com o submundo mexicano ", afirmou North County funcionário da prisão John Bennett . "Nós temos que ter certeza de que vamos cobrir todas as bases em apreender estes homens. "

A polícia também questionaram os membros da banda de heavy metal Lambesis 'As I Lay Dying , sua ex-esposa Meggan Murphy Lambesis e sua família para ver se possível contato foi feito para eles desde o fugitivo. A polícia também alertam que os fugitivos possam estar armado e perigoso. Mais detalhes serão fornecidos quando eles se tornam conhecidos.

Fonte:
metalunderground.com
terça-feira, 1 de abril de 2014 0 comentários

Norman Geisler:o livre arbítrio


O livre arbítrio – Norman Geisler


O livre arbítrio – Norman Geisler
As ideias sobre a natureza do livre arbítrio humano dividem-se em três categorias: determinismo, indeterminismo e autodeterminismo. O determinista leva em conta as ações causadas por outro, o indeterminista as ações não causadas e o autodeterminista as ações autocausadas.
Determinismo. Há dois tipos básicos de determinismo: naturalista e teísta. O determinista naturalista é mais prontamente associado ao psicólogo comportamental B. F. SKINNER. Skinner acreditava que todo comportamento humano é determinado por fatores genéticos e comportamentais. Os seres humanos só agem conforme sua programação.
Todos os que aceitam as formas rígidas da teologia calvinista acreditam em algum nível de determinismo teísta. Jonathan EDWARDS relacionava todas as ações a Deus como Primeira Causa. “Livre arbítrio” para Edwards é fazer o que se quer, e Deus é o Autor dos desejos do coração. Deus é soberano, está no controle de tudo e, em última análise, é a causa de tudo. A humanidade pecadora está cativa às suas inclinações, então pode fazer tudo o que quiser, mas o que quiser estará sempre sob o controle de seu coração corrupto e mundano. A graça de Deus controla ações como Deus controla desejos e pensamentos, bem como ações correspondentes.
Resposta ao determinismo. Os indeterministas respondem que a ação autocausada não é impossível e que não é necessário atribuir todas as ações à Primeira Causa (Deus). Algumas ações podem ser causadas por seres humanos aos quais Deus deu liberdade moral. O livre arbítrio não é, como Edwards afirma, fazer o que deseja (com Deus dando os desejos). É fazer o que decide, o que nem sempre é a mesma coisa. Não é necessário rejeitar o controle soberano de Deus para negar o determinismo. Deus pode controlar pela onisciência tanto quanto pelo poder causal.
Duas formas de determinismo podem ser diferenciadas: rígida e moderada. O determinista rígido acredita que todas as ações são causadas por Deus, que Deus é a única causa eficiente. O determinista moderado acredita que Deus como Causa Primária é compatível com o livre arbítrio humano como Causa Secundária.
Indeterminismo. Segundo o indeterminista, poucas ações humanas (se de fato alguma é) são causadas. Eventos e ações são contingentes e espontâneos. Charles Pierce e William JAMES eram indeterministas.
Argumentos a favor do indeterminismo. Os argumentos a favor do indeterminismo seguem a natureza das ações livres. Já que estas não seguem nenhum padrão determinado, conclui-se que são indeterminadas. Alguns indeterministas contemporâneos recorrem ao princípio de indeterminação de Werner Heisenberg para apoiar sua posição. Segundo esse princípio, eventos no âmbito subatômico (como a trajetória específica de determinada partícula) são completamente imprevisíveis.
Conforme o argumento da imprevisibilidade das ações livres, uma ação deve ser previsível para ser determinada. Mas ações livres não são previsíveis. Logo, são indeterminadas.
Crítica ao indeterminismo. Todas as formas de indeterminismo naufragam no princípio da causalidade, que afirma que todos os eventos têm causa. Mas o indeterminismo afirma que escolhas livres são eventos não causados.
O indeterminismo torna o mundo irracional e a ciência impossível. É contrário à razão afirmar que as coisas acontecem aleatoriamente, sem uma causa. Logo, a indeterminação é reduzida ao irracionalismo. As ciências de operação e das origens dependem do princípio da causalidade. Só porque uma ação livre não é causada por outra não significa que é não causada. Poderia ser autocausada.
O uso do princípio de Heisenberg é mal aplicado, já que não lida com a causalidade de um evento, mas com a imprevibilidade.
O indeterminismo rouba a responsabilidade moral dos seres humanos, já que não são a causa dessas ações. Se não são, por que deveriam ser culpados por ações malignas? O indeterminismo, pelo menos na escala cósmica, é inaceitável do ponto de vista bíblico, já que Deus está relacionado causalmente ao mundo como Criador (Gn 1) e Sustentador de todas as coisas (Cl 1.15,16).
Autodeterminismo. De acordo com essa teoria, as ações morais de uma pessoa não são causadas por outro nem não causadas, mas são causadas pela própria pessoa. É importante saber desde o início exatamente o que significa autodeterminismo ou livre arbítrio. Negativamente, significa que a ação moral não é não causada nem é causada por outro. Não é nem indeterminada nem determinada por outro. Positivamente, é moralmente autodeterminada, uma ação livremente escolhida, sem compulsão, em que seria possível fazer o contrário. Vários argumentos apoiam essa posição.
Argumentos a favor do autodeterminismo. Ou as ações morais são não causadas, ou são causadas por outro, ou são causadas pela própria pessoa. Mas nenhuma ação pode ser desprovida de causa, já que isso viola o princípio racional fundamental segundo o qual todo evento tem uma causa. E as ações de uma pessoa não podem ser causadas por outros, pois nesse caso não seriam ações pessoais. Além disso, se as ações da pessoa são causadas por outro, como responsabilizá-la por elas? Tanto Agostinho (em Do livre arbítrio e Da graça e do livre arbítrio) quanto Tomás de Aquino eram autodeterministas, e também o são os calvinistas moderados e arminianos contemporâneos.
A negação de que algumas ações podem ser livres é contraditória. O determinista completo insiste em que tanto deterministas quanto indeterministas estão determinados a acreditar no que acreditam. Mas os deterministas acreditam que os autodeterministas estão errados e devem mudar sua posição. Mas “deve mudar” implica liberdade para mudar, o que é contrário ao determinismo. Se Deus é a causa de todas as ações humanas, então os seres humanos não são moralmente responsáveis. E não faz sentido louvar os seres humanos por fazerem o bem nem culpá-los por fazerem o mal.
Uma dimensão dessa controvérsia está relacionada com o conceito de “eu”. O autodeterminista acredita que haja um “eu” (sujeito) que é mais que o objeto. Isto é, minha subjetividade transcende minha objetividade. Não posso colocar tudo o que sou sob a lente de um microscópio para analisar, como um objeto. Eu sou mais que minha objetividade. Esse “eu” que transcende a objetificação é livre. O cientista que tenta estudar o eu sempre transcende a experiência. O cientista está sempre do lado de fora olhando para dentro. Na verdade, “eu” sou livre para “me” rejeitar. Isso não é determinado pela objetividade, nem está sujeito a ficar preso à analise científica. Como tal, o “eu” é livre.
Objeções ao autodeterminismo. O livre arbítrio elimina a soberania. Se os seres humanos são livres, estão fora da soberania de Deus? Ou Deus determina tudo, ou não é soberano. E se ele determina tudo, então não há ações autodeterminadas.
É suficiente observar que Deus soberanamente delegou o livre arbítrio a algumas de suas criaturas. Não havia necessidade de fazê-lo. Então o livre arbítrio é um poder soberanamente dado para fazer escolhas morais. Só a liberdade absoluta seria contrária à soberania absoluta de Deus. Mas a liberdade humana é uma liberdade limitada. Os seres humanos não estão livres para se tornar Deus. Um ser contingente não pode tornar-se um Ser Necessário. Pois um Ser Necessário não pode ser criado. Deve ser sempre o que é.
O livre arbítrio é contrário à graça. Alega-se que os as ações livres e boas vêm da graça de Deus ou de nossa iniciativa. Mas no caso da última, elas não são resultado da graça de Deus (Ef 2.8-9). Todavia, essa não é uma conclusão lógica. O livre arbítrio é um dom gracioso. Além disso, a graça especial não é imposta coercivamente à pessoa. A graça, pelo contrário, age persuasivamente. A posição rígida determinista confunde a natureza da fé. A capacidade da pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é a mesma coisa que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito ao receptor do dom, e não ao Doador.
A ação autocausada é logicamente impossível. Alega-se que o autodeterminismo significa causar a si mesmo, o que é impossível. Uma pessoa não pode ser anterior a si mesma, que é a implicação da ação autocausada. Essa objeção interpreta mal o determinismo, que não significa que a pessoa causa a si mesma, mas sim causa o acontecimento de outra coisa. Uma ação autodeterminada é determinada pela própria pessoa, não por outra.
O autodeterminismo é contrário à causalidade. Se todas as ações precisam de causa, da mesma forma acontece com as ações da vontade, que não são causadas pela pessoa, mas por outra coisa. Se tudo precisa de uma causa, as pessoas que executam as ações também precisam.
Não há violação do princípio da causalidade real no exercício das ações livres. O princípio não afirma que todas as coisas (seres) precisam de uma causa. Coisas finitas precisam de uma causa. Deus é não causado. A pessoa que realiza as ações livres é causada por Deus. O poder da liberdade é causado por Deus, mas o exercício da liberdade é causado pela pessoa. O eu é a primeira causa das ações pessoais. O princípio da causalidade não é violado pelo fato de todo ser finito e toda ação ter uma causa.
O autodeterminismo é contrário à predestinação. Outros alegam que o autodeterminismo é contrário à predestinação de Deus. Mas o autodeterminismo responde que Deus pode predeterminar de várias maneiras. Pode determinar 1) contrariamente ao livre arbítrio (forçando a pessoa a fazer o que ela não escolhe fazer); 2) baseado nas livres escolhas já feitas (esperando para ver o que a pessoa vai fazer); 3) sabendo de modo onisciente o que a pessoa fará “de acordo com pré conhecimento de Deus Pai” (1Pe 1.2). “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Ou a posição 2 ou a 3 é coerente com o autodeterminismo. Ambas insistem que Deus pode determinar o futuro pelo livre arbítrio, já que ele sabe oniscientemente com certeza como as pessoas agirão em liberdade. Então, o futuro é determinado do ponto de vista do conhecimento infalível de Deus, mas livre do ponto de vista da escolha humana.
Ligado ao argumento do determinismo rígido está o fato de que, apesar de Adão ter livre arbítrio (Rm 5.12), os seres humanos pecadores estão escravizados pelo pecado e não estão livres para atender a Deus. Mas essa posição é contrária ao chamado constante de Deus a que os homens se arrependam (Lc 13.3; At 2.38) e creiam (p.ex., Jo 3.16; 3.36; At 16.31), e às afirmações diretas de que até os incrédulos têm habilidade de reagir à graça de Deus (Mt 23.37; Jo 7.17; Rm 7.18; 1Co 9.17; Fm 14; 1Pe 5.2).
Esse argumento prossegue afirmando que, se os humanos têm capacidade de atender, então a salvação não é pela graça (Ef 2.8,9), mas pelo esforço humano. No entanto, isso é um engano com relação à natureza da fé. A habilidade de uma pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é o mesmo que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito a quem recebe o dom, e não ao Doador, que o dá graciosamente.
Refêrencias Bíbliográficas
AGOSTINHO, O livre arbítrio.
J. EDWARDS, The freedom of the will.
J. FLETCHER, John Fletcher’s checks to Antinomianism, condensado por P. WISEMAN.
R. T. FOSTER, et al., God’s strategy in human history.
N. L. GEISLER, “Man’s destiny: free or forced”, CSR, 9.2 (1979).
D. HUME, The letters of David Hume.
C. S. LEWIS, Milagres.
M. LUTERO, On grace an free will.
__, The bondage of the will.
B. F. SKINNER, Beyond behaviorism.
__, O mito da liberdade.
TOMÁS DE AQUINO, Suma teológica.

Fonte: Geisler, Norman L. Enciclopédia Apologética: respostas aos críticos da fé cristã; tradução Lailah de Noronha – São Paulo: Editora Vida, 2002. pp. 501-503.
 
Retirado do site: http://arminianos.wordpress.com/2011/11/25/o-livre-arbitrio-norman-geisler/

segunda-feira, 21 de abril de 2014

William Lane Craig: Determinismo, Compatibilismo e Molinismo



Pergunta 157

Perplexo com os Calvinistas

William Lane Craig

Dr. Craig,

Estou perplexo com o grande número de calvinistas que vejo que são líderes cristãos incrivelmente inteligentes e confiáveis. O que eu quero dizer é que, muitos parecem ser capazes de uma extensa análise (bem mais do que eu), mas parecem enfiar suas cabeças na areia quando chegam no problema do mal. Quando não fazem isso, eles tendem a fazer de Deus um ser auto-contraditório. Por que o senhor acha que isso acontece?

Também estou pessoalmente perplexo com a pequena quantidade de líderes que estão adotando o Molinismo. Parece-me que ele responde a maioria das perguntas e é o que cria menos problemas. Entendo que ele pode ser complexo, mas eu não pensaria que podemos simplesmente descansar com o problema do mal não sendo respondido. Não fundamento o que creio nas crenças dos outros, mas não podemos ignorar a influência que outros têm em nossas vidas, ou o desejo de estar em harmonia com eles no que diz respeito a estas opiniões.

De qualquer forma, eu apreciaria suas considerações... como sempre aprecio.

Gordon.

Dr. Craig responde:

Penso que você tem razão, Gordon, que muitos líderes cristãos inteligentes e religiosos são reformados, ou seguidores de João Calvino, em sua teologia. Atualmente estou participando de um livro de quatro pontos de vista sobre a providência divina juntamente com dois teólogos reformados. É evidente de suas contribuições que, apesar dos quebra-cabeças intelectuais levantados pela visão reformada, ambos a adotam porque estão convencidos de que ela representa mais fielmente o ensino da Escritura sobre o assunto, a Escritura sendo a única regra autoritária de fé.

Na verdade, eu não tenho problema com certas afirmações clássicas da visão reformada. Por exemplo, a Confissão de Westminster (Capítulo III) declara que

Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.

Agora, isto é exatamente o que crê o molinista! A Confissão afirma a preordenação de Deus de tudo quanto acontece assim como a liberdade e contingência da vontade da criatura, de forma que Deus não é o autor do pecado. É trágico que ao rejeitar o conhecimento médio os teólogos reformados se isolam da explicação mais clara da coerência desta maravilhosa confissão.

Rejeitando uma doutrina da providência divina baseada no conhecimento médio de Deus, os teólogos reformados são simples e reconhecidamente deixados com um mistério. O grande teólogo reformado do séc. 17 Francis Turretin cria que uma análise cuidadosa da Escritura leva a duas conclusões indubitáveis, ambas as quais devem ser mantidas em tensão sem comprometer uma ou outra:

que Deus por um lado, por sua providência, não apenas decretou, mas mais certamente assegura, o acontecimento de todas as coisas, sejam livres ou contingentes; por outro lado, entretanto, o homem é sempre livre para agir e muitos efeitos são contingentes. Embora eu não consiga entender como eles possam estar interligados, todavia (por causa da ignorância do modo) este fato não deve (que é certo a partir de outra fonte, isto é, da Palavra) ser colocado em dúvida ou completamente negado (Institutes of Elenctic Theology, 1:512).

Aqui Turretin afirma sem conciliação tanto a soberania de Deus quanto a liberdade humana e a contingência; eles apenas não sabe como encaixá-las. O Molinismo oferece uma solução. Rejeitando essa solução, o teólogo reformado é deixado com um mistério.

Não há nada de errado com mistério per se (a interpretação física correta da mecânica quântica é um mistério!); o problema é que alguns teólogos reformados, como meus dois colaboradores no livro de quatro pontos de vista, tentam resolver o mistério aderindo ao determinismo causal, divino, universal, e uma visão compatibilista da liberdade humana. De acordo com esta visão, a maneira que Deus soberanamente controla tudo que acontece é fazendo com que tudo aconteça, e a liberdade é reinterpretada para ser consistente com ser causalmente determinado por fatores fora da pessoa.

É esta visão, que afirma o determinismo universal e o compatibilismo, que se depara com os problemas que você menciona. Fazer Deus o autor do mal é apenas um dos problemas que esta visão neoreformada enfrenta. Pelo menos cinco vêm imediatamente à mente:

1. O determinismo causal, divino, universal, não pode oferecer uma interpretação coerente da Escritura. Os teólogos reformados clássicos reconhecem isto. Eles reconhecem que a conciliação de textos da Escritura que afirmam a liberdade humana e a contingência com textos da Escritura que afirmam a soberania divina é inescrutável. D. A. Carson identifica nove fluxos de textos que afirmam a liberdade humana: (1) as pessoas enfrentam inúmeras exortações e comandos divinos, (2) são-lhes ditas para obedecer, crer e escolher Deus, (3) as pessoas pecam e se rebelam contra Deus, (4) os seus pecados são julgados por Deus, (5) as pessoas são provadas por Deus, (6) as pessoas recebem recompensas divinas, (7) os eleitos são responsáveis por responder à iniciativa de Deus, (8) orações não são meras exibições escritas por Deus, e (9) Deus literalmente implora que os pecadores se arrependam e sejam salvos (Divine Sovereignty and Human Responsibility: Biblical Perspectives in Tension, pp. 18-22). Estas passagens excluem um entendimento determinista da providência divina, o que impediria a liberdade humana. Os deterministas conciliam o determinismo causal, divino, universal com a liberdade humana reinterpretando a liberdade em termos compatibilistas. O compatibilismo requer o determinismo, então não há nenhum mistério aqui. O problema é que adotar o compatibilismo alcança conciliação somente às custas de negar o que vários textos da Escritura parecem claramente afirmar: a indeterminação e contingência genuínas.

2. O determinismo causal universal não pode ser racionalmente afirmado. Há uma espécie de característica estonteante, autodestrutiva no determinismo. Pois se alguém vem a crer que o determinismo é verdadeiro, ele tem que crer que a razão que veio a crer é simplesmente que ele foi determinado a assim fazer. Ele não tem de fato sido capaz de pesar os argumentos pró e contra e livremente decidir-se sobre esta base. A diferença entre a pessoa que pesa os argumentos em favor do determinismo e os rejeita e a pessoa que os pesa e os aceita é completamente que uma foi deteminada a crer por fatores causais fora de si mesma e a outra foi determinada a não crer. Quando você vem a perceber que sua decisão de crer no determinismo foi ela mesma determinada e que até sua presente percepção desse fato agora mesmo é igualmente determinado, uma espécie de falta de equilíbrio se instala, pois tudo que você pensa, inclusive este mesmo pensamento, está fora de seu controle. O determinismo poderia ser verdadeiro, mas é muito difícil de ver como ele poderia ser alguma vez racionalmente afirmado, visto que sua afirmação mina a racionalidade de sua afirmação.

3. O determinismo universal, divino faz de Deus o autor do pecado e elimina a responsabilidade humana. Em contraste com a visão molinista, na visão determinista até o movimento da vontade humana é causada por Deus. Deus move as pessoas a escolher o mal, e elas não podem fazer de outra forma. Deus determina suas escolhas e as faz comportarem-se mal. Se é mal fazer uma outra pessoa comportar-se mal, então nesta visão Deus não é apenas a causa do pecado e do mal, mas se torna Ele mesmo mau, o que é absurdo. Similarmente, toda responsabilidade humana pelo pecado foi removida. Pois nossas escolhas não dependem realmente de nós: Deus nos causa fazê-las. Nós não podemos ser responsáveis por nossas ações, pois nada que pensamos ou fazemos depende de nós.

4. O determinismo universal, divino anula a agência humana. Visto que nossas escolhas não dependem de nós mas são causadas por Deus, não se pode dizer dos seres humanos que eles são agentes reais. Eles são meros instrumentos por meio dos quais Deus age para produzir algum efeito, bem parecido com um homem usando uma vara para mover uma pedra. Obviamente, causas secundárias retêm todas as suas propriedades e poderes como causas intermediárias, como os teólogos reformados nos recorda, assim como uma vara retém suas propriedades e poderes que a torna adequada aos propósitos daquele que a usa. Pensadores reformados não precisam ser ocasionalistas como Nicholas Malebrance, que cria que Deus é a única causa que há. Mas estas causas intermediárias não são elas mesmas agentes mas meras causas instrumentais, pois elas não têm poder para iniciar uma ação. Daí, é duvidoso que no determinismo divino há realmente mais do que um agente no mundo, a saber, Deus. Esta conclusão não apenas desafia nosso conhecimento de nós mesmos como agentes mas torna inexplicável por que Deus então nos trata como agentes, nos mantendo responsáveis por aquilo que Ele nos causou e nos usou para fazer.

5. O determinismo universal, divino torna a realidade em uma farsa. Na visão determinista, todo o mundo se torna um espetáculo vão e sem sentido. Não há agentes livres em rebelião contra Deus, a quem Deus procura vencer por meio de Seu amor, e ninguém que livremente responde a esse amor e livremente dá seu amor e louvor a Deus em troca. Todo o espetáculo é uma charada cujo único fator real é o próprio Deus. Longe de glorificar a Deus, a visão determinista, estou convencido, deprecia Deus por se envolver em tal charada absurda. É extremamente ofensivo a Deus pensar que Ele criaria seres que são em todos os aspectos causalmente determinados por Ele e então os trata como se eles fossem agentes livres, punindo-os pelas ações equivocadas que Ele os faz praticarem ou amando-os como se eles fossem agentes que livremente respondem. Deus seria como uma criança que arranja seus soldados de brinquedo e os move ao redor de seu mundo de brincadeira, fingindo que eles são pessoas reais cujas ações não são de fato suas e fingindo que eles merecem louvor ou culpa. Estou certo que os deterministas reformados, em contraste com os teólogos reformados clássicos, ficarão indignados com tal comparação. Mas por que ela não é adequada para a doutrina universal, divina, causal é um mistério para mim.

Então, por que tantos líderes cristãos inteligentes e fiéis aceitam o Calvinismo? Penso que o tipo de Calvinismo representado pela afirmação citada acima da Confissão de Westminster é um resumo fiel do ensino da Escritura e portanto deveria ser crido. É somente quando alguém vai além dele para tentar resolver o mistério adotando o determinismo e o compatibilismo que ele se envolve em dificuldades. Por isso, na medida em que estes líderes cristãos estão contentes em permanecer com o mistério, penso que eles têm uma posição razoável. A vasta maioria deles têm provavelmente pouco entendimento do Molinismo e portanto são apenas insuficientemente informados para tomar uma decisão. Alguns anos atrás eu discursei no Seminário de Westminster em San Diego sobre o conhecimento médio, e na metade do período de Perguntas e Respostas após minha palestra, um dos professores disse, “Estou envergonhado de dizer, Dr. Craig, que não somos ainda capazes de discutir este assunto com o senhor porque não estamos completamente familiarizados com o que o senhor está dizendo.” Ele estava envergonhado que como um teólogo profissional ele estava tão desinformado destes debates. Em contrapartida, alguns teólogos que pertencem à tradição reformada têm passado para o Molinismo. Quando proferi as palestras Stob no Calvin College and Seminary, fiquei chocado quando os teólogos no seminário me disseram que todos eles eram molinistas! Cada vez mais encontro pessoas que estão tomando o rumo molinista (tanto do lado calvinista quando teísta aberto!)

Então, não seja duro demais com os nossos irmãos calvinistas. Ofereça-lhes algo melhor, e espere que eles o adotem.


Tradução: Paulo Cesar Antunes

quarta-feira, 9 de abril de 2014

As I Lay Dying: Confirma hiato e novos projetos.

A banda As i Lay Dying publicou em seu site oficial, a confirmação do hiato da banda e dois novos projetos. Explicando a situação da banda e o futuro dos integrantes e do próprio Tim Lambesis, que segundo a banda, ele está retornando a sua fé cristã. Espero que sim, todo ser humano tem o direito de acreditar no que quiser, e torço pra que o Tim se recupere de fato.

Confira abaixo a mensagem:
"Houveram muitas perguntas dos fãs durante o último ano e esperamos respondê-las com o passar do tempo. Entretanto, essa atualização serve apenas para tratar sobre o futuro do AILD.
Inicialmente, nós afirmamos que falaríamos assim que tivéssemos mais informações. Pedimos desculpa por não cumprir isso. Na época parecia ser melhor esperar até tudo se concretizar. Entretanto, devido a especulação em outros sites, uma atualização feita por nós parece ser a melhor coisa para deixar certas coisas claras.
Um bom ponto de partida é corrigir algumas coisas que foram reportadas de forma errada. O Tim não era mais cristão na época que ele foi preso, e nem o As I Lay Dying uma banda cristã em 2013. Fazia um bom tempo que não éramos e, até onde eu sei, apenas um dos integrantes afirmava ser cristão na época. Essa mudança de visão foi escrita em várias músicas do As I Lay Dying e a visão do Tim como alguém ateu foi documentado em alguns registros do tribunal. Entretanto, a manchete no jornal relatando a prisão de "ex-cristão de banda de subgênero de metal" não fica tão bem quanto "Rockstar cristão de banda indicada ao Grammy".
Com isso, não sabemos como cada músico das eras anteriores do As I Lay Dying pensará sobre esses assuntos no futuro. O Tim passou a maior parte do ano passado reavaliando aquilo que fez ele abandonar a sua crença em Deus. Pelo que me passaram, depois de muito arrependimento e quebrantura, ele se considera um seguidor de Jesus e alguém que está dedicado a vontade de Deus, ou o que vocês quiserem chamar isso. Isso é algo que ele deverá falar quando sentir confortável e só o tempo dirá se ele diz isso com sinceridade. O que é certo é que é impossível encarar os eventos do ano passado sem enfrentar alguma mudança.  
Incertezas à frente...
O As I Lay Dying foi originalmente fundada pelo Tim e com o passar do tempo seu nome foi parcialmente passado ao Jordan. Como os dois integrantes oficiais, nenhum dos dois gostaria de seguir em frente com a banda, independentemente da sentença do Tim (que ainda será definida / não será 9 anos). Houve muita conversa para estabelecer algumas diferenças sobre o que deve ser feito em um futuro distante. E isso mantém o futuro do AILD no limbo. A versão da banda que está hibernando é apenas dos dois proprietários do As I Lay Dying, ou seja, o Tim e o Jordan. Essa incerteza se dá pelo fato de que não sabemos o futuro e nem quem estará com o grupo quando/se esse tempo chegar. Cerca de 20 caras já passaram pela posição de guitarrista ou baixista da banda ao longo da história. A atual formação não garante que ex-integrantes conversem no futuro, mas faz sentido agora deixar o AILD como algo do Tim e do Jordan.
Duas opiniões...
O Tim reconheceu a sua culpa e claramente tomou decisões erradas durante um período de tempo em que ele se comportou de uma forma contrária à pessoa que ele foi na maior parte da sua vida. Ele acredita que a banda deve voltar apenas se for um retomada às raízes. Para ele, o potencial de trabalhar novamente com o AILD significa trabalhar em muitas outras coisas que são mais importantes na vida dele primeiro.
Por outro lado, o Jordan sente algo diferente em relação ao futuro. Mesmo que isso fosse discutido mais um pouco, ele prefere tomar o tempo atual para buscar outras coisas. Isso inclui lançar músicas novas com três caras da formação mais recente do As I Lay Dying. É uma chance pro Jordan participar mais do processo de criação das músicas e aproveitar outros estilos que ele gostaria de tocar. Pra falar a verdade, essa banda já gravou seu primeiro álbum e eu tenho certeza que será incrível. A ideia não é substituir o As I Lay Dying, porque é algo de um estilo diferente e uma outra banda. Interessantemente, o vocalista deles também é um ex-cristão, como os companheiros de banda e é/era o guitarrista da banda Oh Sleeper (Shane Blay). Eles lançarão o trabalho pela Metal Blade, que será uma combinação interessante devido à abordagem menos pesada da banda.
Em termos da música, o Tim não quer mais viver a vida de músico, independentemente de qual será a sentença dele, que, com certeza, não será para sempre, mas mesmo assim, viver em turnês não parece algo saudável ou prático devido a nova forma como encara a vida e seus objetivos. Criar músicas novas é a parte que o Tim mais  gosta e algo que ele sempre estará fazendo. Isso inclui muitas das coisas que ele gravou nos últimos seis meses e o novo projeto que será anunciado em breve. Para os curiosos, posso falar que é bom ouvir ele tocando guitarra novamente e escrevendo muitos riffs novamente como ele fez nos primeiros cinco álbuns do As I Lay Dying.
Com isso, esperamos ter tratado das maiores dúvidas sobre o As I Lay Dying. Como falei acima, a banda está dormindo e não morta. Existem dois projetos que serão lançados, enquanto a banda pode ou não acordar novamente."

segunda-feira, 7 de abril de 2014

As i Lay Dying: retorna as atividades


"Os integrantes do As I Lay Dying publicaram em seus perfis do facebook, um pequeno trecho de uma nova música da banda, que depois de um hiato e várias especulações sobre o seu termino, deixou claro que a banda estará retornando às atividades. Mas, agora sem o Tim Lambesis que foi condenado a 9 anos de prisão por planejar a morte de sua ex-mulher."Diante disso, fica a pergunta:
Quem será o novo vocalista?
Sobre isso, a banda ainda não se pronunciou, mas há boatos que o Josh (baixista) assuma de vez o vocal.
Fontes:  http://mpsirock.com.br/noticias/detalhe/as-i-lay-dying-lanca-previa-de-nova-musica
Curtam: https://www.facebook.com/Cristianismounderground

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A.W Tozer: Livre-arbitrio

O Livre Arbítrio – A.W. Tozer

É INERENTE à natureza humana que a sua vontade tem de ser livre. Feito à imagem de Deus, que é completamente livre, o homem deve gozar certa medida de liberdade. Esta o capacita a escolher os seus companheiros para este mundo e para o porvir; capacita-o a sujeitar a sua alma a quem ele quiser, a aliar-se a Deus ou ao Diabo, a continuar pecador ou tornar-se santo.
E Deus respeita esta liberdade. Outrora Deus viu tudo que tinha feito, e eis, era muito bom. Achar defeito na menor coisa que Deus fez é achar defeito no seu Criador. É falsa humildade lamentar que Deus trabalhou imperfeitamente quando fez o homem à Sua imagem. Fora o pecado, não há nada na natureza humana pelo que pedir desculpas. Isso foi confirmado para sempre quando o Filho Eterno encarnou assumindo permanentemente a carne humana.
Tão alta consideração Deus tem pela obra das Suas mãos, que por nenhum motivo lhe fará violência. Para Deus, passar por cima da liberdade do homem e força-lo a agir contrariamente à sua vontade seria escarnecer da imagem de Deus no homem. Deus jamais fará isso.
O nosso Senhor interessou-se pelo rico e jovem governante quando este se retirou, mas não o seguiu nem exerceu coerção sobre ele. A dignidade da humanidade do jovem proibia que outro fizesse por ele as suas escolhas. Para permanecer homem, ele tinha de fazer as suas escolhas morais; e Cristo sabia disso e lhe permitiu que seguisse o caminho que escolheu. Se esta escolha humana o levou finalmente para o inferno, pelo menos foi para lá como homem; e para o universo moral, era melhor ele fazer isso do que ir iludido para o céu que ele não escolheu, como um autômato sem alma e sem vontade.
Deus dará nove passos em direção a nós, porém não dará o décimo. Ele nos inclinará ao arrependimento, mas não poderá arrepender-se por nós. É da essência do arrependimento que só se dê com aquele que cometeu o ato do qual se arrepender. Deus pode ficar à espera do homem que pecou; pode sustar o julgamento; pode exercer paciente tolerância a ponto de parecer relaxado em Sua administração judicial; mas não pode forçar o homem a arrepender-se. Fazê-lo seria violar a liberdade do homem e esvaziar o dom que originariamente Deus lhe outorgara.
Onde não liberdade de escolha não pode haver nem pecado nem retidão, porque é da natureza de ambos que sejam voluntários. Por melhor que seja um ato, não será bom se for imposto de fora. O ato de imposição destrói o conteúdo moral do ato e o torna nulo e vazio.
Para que um ato seja pecaminoso é preciso que também esteja presente o seu caráter voluntário. Pecado é a prática voluntária de um ato que se sabe contrário à vontade de Deus. Onde não há conhecimento moral ou onde não há escolha voluntária, o ato não é pecaminoso; não pode ser, pois o pecado é a transgressão da lei, e transgressão tem de ser voluntária.
Lúcifer se tornou Satanás quando fez a sua escolha fatídica: “Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaias 14.14). Claramente se vê aí uma escolha feita contra a Luz. Tanto o conhecimento como a vontade estavam presentes no ato. Inversamente, Cristo revelou a Sua santidade quando bradou em Sua agonia: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a Tua” (Lucas 22.42). Vê-se aí uma escolha deliberada, feita com pleno conhecimento das consequências. Ali duas vontades estiveram em conflito temporário, a vontade inferior do homem que era Deus, e a vontade mais elevada do Deus que era homem, e a vontade superior prevaleceu. Viu-se ali também, em evidente contraste, a enorme diferença entre Cristo e Satanás; e essa diferença separa o santo do pecador, e o céu do inferno.
Mas alguém pode perguntar: “Quando oramos: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a Tua”, não estamos esvaziando a nossa vontade e nos recusando a exercer o próprio poder de escolha que faz parte da imagem de Deus em nós?” A resposta a essa pergunta é um rotundo NÂO, mas isso tudo merece mais explicação.
Nenhum ato que seja praticado voluntariamente constitui uma ab-rogação do livre arbítrio. Se alguém escolhe a vontade Deus, não está negando, mas, sim, exercendo o seu direito de escolha. O que ele está fazendo é admitir que não é suficientemente bom para desejar a suprema escolha, nem suficientemente sábia para fazê-la e, por esta razão, está pedindo a Outro, sábio e bom, que faça a sua escolha por ele. E para o homem decaído, este é o emprego último que deve fazer do seu livre arbítrio.
Tennyson percebeu isso e escreveu a respeito de Cristo:
És humano, Senhor, e divino és Tu.
a suprema e mais santa humanidade;
sem saber como, é nossa a nossa vontade;
é nossa, porém para fazê-la Tua.
Há boa soma de saudável doutrina nestas palavras – “é nossa a nossa vontade; é nossa, porém para fazê-la Tua”. O segredo do santo viver não está na destruição da vontade, mas em fazê-la submergir na vontade de Deus.
O verdadeiro santo é alguém que reconhece que possui o dom da liberdade oriundo de Deus. Ele sabe que jamais será espancado para obedecer, nem adulado como uma criança enjoada, para fazer a vontade de Deus; sabe que estes métodos são indignos de Deus e da sua própria alma. Sabe que é livre para fazer a escolha que quiser e, com esse conhecimento, escolhe para sempre a bendita vontade de Deus.
Retirado do livro: “Esse cristão incrível”, Editora Mundo Cristão. A.W.Tozer, pg 25-27.
Fontes: http://arminianos.wordpress.com/2011/06/12/o-livre-arbitrio-por-a-w-tozer/#more-187

Willian Lane Craig: Molinismo e Romanos 9

Pergunta 79

Molinismo e Romanos 9

William Lane Craig

Pergunta:

Caro Dr. Craig,

Sou um ateu que atualmente está lendo Reasonable Faith, e devo começar dizendo quão encantador e desafiador seu livro tem sido até então! Estou ansioso por ler mais de suas ideias em seus outros livros também, e como membro da “oposição fiel”, meus aplausos por seu trabalho muito bem feito em busca da verdade.

Tenhos duas perguntas muito diferentes. Já antecipo os meus agradecimentos por seu tempo e consideração em abordá-las e aguardo ansiosamente sua resposta.

Em primeiro lugar, em um dos primeiros capítulos de Reasonable Faith, o senhor afirma lançar o fundamento para a ressurreição de Cristo dos mortos por Deus de forma cumulativa, construindo uma defesa da existência de um Criador divino pessoal, moral e poderoso, que é temporal com nosso universo, e então na base de sua defesa o senhor faz a afirmação de que Deus levantou Jesus dos mortos.

Ocorreu-me o pensamento, então, se seria válido a um ateu em um debate com o senhor igualmente apresentar uma defesa cumulativa para a não-existência de Deus como o senhor o definiu, e semelhante ao seu método, concluir que no máximo Jesus levantou dos mortos por meio de alguma outra coisa que não Deus, conforme proposto em sua defesa cumulativa – por meio disso concluindo que o Cristianismo é falso mesmo sendo verdadeira uma ressurreição histórica.

Obviamente eu sei que o senhor muito provavelmente sustentaria que contra-argumentos contra sua defesa são inválidos, mas estou imaginando se o senhor acha que tal método da parte de um ateu é em e de si mesmo logicamente conclusivo contra o Cristianismo se o senhor assumir a bem do argumento que todas as premissas do ateu aqui são verdadeiras.

2. Em Romanos 9, Paulo descreve Jacó e Esaú como sendo considerados amado e odiado (ou “amado menos”) antes de terem feito bem ou mal. Paulo então continua para comparar todos nós como barro moldado por um oleiro, e afirma que não é a vontade daquele que corre mas daquele que mostra misericórdia que nos salva. Paulo relata Deus dizendo a Faraó: “Eu o levantei exatamente com este propósito...” e então discute a ideia que os vasos que Deus fez para “uso comum” existem somente para o propósito de mostrar sua paciência aos seus vasos mais especiais.

Muitos reformados pensam que esta passagem mostra a dupla predestinação e a eleição incondicional, e sou forçado a concordar com eles – como também Cristo em Jo 6.65! O Deus reformado é algo que eu vejo como tirânico e indigno de adoração e de fato é difícil para alguém de fora da fé responder à interpretação calvinista de Romanos 9 com algo menos que ódio: como o proeminente estudioso reformado James White descreve este mesmo capítulo, “Eu entendo que a única forma de alguém poder crer nisto é por um ato de graça”.

Na minha opinião, isto anula o seu Molinismo, visto que ninguém pode escolher livremente Deus por si mesmo em qualquer cenário possível sem prévio auxílio de Deus. Além disso, o contexto da história relatada em João 6 mostra os discípulos abandonando Cristo, levando ao que ele diz em 6.65 e provando que Cristo não é oferecido como um dom gratuito a todos! Diante destas passagens, o que sobra para a liberdade do homem escolher Cristo?

Meus graciosos agradecimentos por seu tempo,

Darrin

Dr. Craig responde:

Permita-me dizer imediatamente, Darrin, o quanto aprecio o tom de sua carta. Embora discorde de minhas opiniões, sua carta é um modelo de civilidade, que todos nós faríamos bem em imitar. É um prazer abordar suas questões.

Em primeiro lugar, quanto à possibilidade de construir uma perspectiva ateístasobre a historicidade da ressurreição de Jesus paralela ao caso que construi para ela, me parece que esta é, de fato, a melhor esperança de sucesso do ateu. Primeiramente apresente argumentos contra o teísmo, tais como o problema do mal ou a impossibilidade de pessoas incorpóreas, de forma que quando você se voltar para a evidência da ressurreição simplesmente não haja nenhuma pessoa sobrenatural a apelar por meio de explicação.

Note, entretanto, uma diferença potencialmente significante entre os dois casos: no caso do teísmo, a evidência da ressurreição de Jesus é confirmatória do teísmo (veja o belo artigo de Timothy e Lydia McGrew na futuraBlackwell Companion to Natural Theology, ed. Wm. L. Craig e J. P. Moreland), de forma que a adição da evidência da ressurreição de Jesus serve para aumentar a probabilidade do teísmo ainda mais. Em contrapartida, para o ateu, a evidência da ressurreição tende a ser desconfirmatóriado ateísmo, de forma que ela enfraquece sua defesa original anti-teístae torna o ateísmo menos provável. Se alguém estima que a evidência da ressurreição de Jesus é muito poderosa, ela poderia justamente contrabalançar o peso da probabilidade dos argumentos que você deu para o ateísmo, de forma que no final o teísmo poderia parecer, depois de tudo, uma alternativa consideravelmente boa. De qualquer jeito, o caso para o ateísmo pareceria mais fraco após levar em consideração a evidência da ressurreição de Jesus do que antes.

Em segundo lugar, vamos falar da doutrina da eleição de Paulo em Romanos 9. Quero compartilhar com você uma perspectiva sobre o ensino de Paulo que eu penso que irá achar muito esclarecedorae animadora. Tipicamente, devido à teologia reformada, temos a tendência de ler Paulo como que limitando o escopo da eleição de Deus a uns poucos escolhidos, e aqueles que não foram escolhidos não podem reclamar se Deus em sua soberania os despreza. Penso que esta é fundamentalmente uma leitura equivocada do capítulo que faz muito pouco sentido no contexto da carta de Paulo.

Anteriormente em sua carta Paulo aborda a questão de qual vantagem há para a identidade judaica se alguém deixa de cumprir as exigências da lei (2.17-3.21). Ele diz que embora ser judeu traz grandes vantagens por ser os receptores dos oráculos revelatórios de Deus, todavia ser judeu não dá nenhum direito automático à salvação de Deus.Ao invés disso, Paulo faz a radical e chocante afirmação que “não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita” (2.28-29).

Paulo defendia que “ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei” (3.20); antes, “sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei” (3.28). Isto inclui tanto gentios quanto judeus. “Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também o Deus dos gentios? Sim, dos gentios também, visto que existe um só Deus” (3.29-30).

Você consegue perceber o que isso significava aos judeus contemporâneos de Paulo? “Cães” gentios que têm fé em Cristo podem de fato ser mais judeus do que os judeus étnicos e entrar no Reino enquanto o povo escolhido de Deusé deixado de fora! Isto seria impensável e escandaloso!

Paulo prossegue para apoiar sua opinião apelando ao exemplo de ninguém menos que Abraão, o pai da nação judaica. Abraão, Paulo explica, foi declarado justo por Deus antes que recebeu a circuncisão. “Portanto,” diz Paulo, “ele é o pai de todos os que crêem, sem terem sido circuncidados [isto é, os gentios], a fim de que a justiça fosse creditada também a eles; e é igualmente o pai dos circuncisos que não somente são circuncisos [observe a qualificação!], mas também andam nos passos da fé que teve nosso pai Abraão antes de passar pela circuncisão” (4.11-12).

Este é um ensino explosivo. Paulo começa o capítulo 9 expressando sua profunda dor porque os judeus étnicos estavam deixando de alcançar a salvação de Deus ao rejeitar o Messias [= Cristo]. Mas ele diz que não é como se a palavra de Deus tenha falhado. Antes, como vimos, “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos” (9.6-7). Ser etnicamente judeu não é suficiente; antes, deve-se ser filho da promessa – e isso, como vimos, pode incluir gentios e excluir judeus.

A problemática, então, com a qual Paulo está lutando é como o povo eleito de Deus, os judeus, pôde deixar de obter a promessa de salvação enquanto os gentios, que eram considerados pelos judeus como impuros e abomináveis, puderam, ao invés, encontrar salvação. A resposta de Paulo é que Deus é soberano. Ele pode salvar quem ele quiser, e ninguém pode objetá-lo. Ele tem liberdade para ter misericórdia de quem quer, até mesmo dos execráveis gentios, e ninguém pode reclamar de que Deus está sendo injusto.

Então – e este é o ponto crucial – quem é que Deus escolheu salvar? A resposta é: aqueles que têm fé em Cristo Jesus. Como Paulo escreve em Gálatas (que é uma espécie de Romanos abreviado), “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão” (Gl 3.7). Judeu ou gentio, isto não importa. Deus soberanamente escolheu salvar todos aqueles que confiam em Cristo Jesus para salvação.

É por isso que Paulo pode continuar em Romanos 10 e dizer, “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (10.12-13). A teologia reformada não consegue fazer nenhum sentido deste maravilhoso e universal chamado à salvação. Quem quiser pode vir.

A tarefade Paulo, então, em Romanos 9 não é limitar o escopo da eleição de Deus mas ampliá-la. Ele quer incluirtodos que têm fé em Cristo Jesus apesar de sua classificação étnica. A eleição, então, é antes de tudo uma ideia corporativa: Deus escolheu um povo para si mesmo, uma entidade corporativa, e cabe a nós por nossa resposta de fé se ou não escolhemos ser membros desse grupo corporativo destinado à salvação.

Obviamente, dada a total providência de Deus sobre os negócios dos homens, esta não é toda a história. Mas o Molinismo faz um bom sentidodo restante. Jo 6.65 significa que à parte da graça de Deus ninguém pode vir a Deus por si mesmo. Mas não há sugestão aí de que aqueles que recusaram crer em Cristo não fizeram assim de seu próprio livre-arbítrio. Deus sabe em exatamente quais circunstâncias as pessoas livremente responderão à sua graça e as coloca em circunstâncias nas quais cada um recebe graça suficiente para salvação se somente essa pessoa se beneficiará dela. Mas Deus sabe quem irá e quem não irá responder. Assim, novamente, a culpa não está em Deus que algumas pessoas livremente resistem à graça e todo o esforço de Deus para salvá-las; antes, eles, como Israel, deixaram de obter a salvação porque recusaram ter fé.


Tradução: Paulo Cesar Antunes

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Notícia FALSA: Tim Lambesis Foragido?

Segundo o site metal underground, o vocalista da banda As i Lay Dying, fugiu da prisão.
Mas isso não passa de uma brincadeira do site que faz notícias falas no dia 1º de Abril.
Segue o link da explicação
http://www.metalunderground.com/news/details.cfm?newsid=101515
Segue a tradução da matéria.

Autoridades de North County Correctional Facility em Castaic , CA ter colocado para fora um boletim de - todos os pontos em Tim Lambesis e outros dois presos , que foram relatados ter escapado na noite passada.

Lambesis , que estava atualmente dois meses em uma sentença de nove anos para o comissionamento de um assassinato de aluguel, desapareceu depois de uma contagem de rotina. Ele e os outros dois presos , Jesus Ramos e Enrique Martinez , foi desaparecidos depois do jantar e recreação quintal tempo.

Os dois agentes penitenciários que faziam a verificação de beliche na ala onde os presos foram alojados notou que a casa de banho de metal havia sido removido e usado para quebrar a janela estreita na unidade Lambesis ' . Como os outros dois detentos escaparam ainda não está claro neste momento.

Autoridades montaram bloqueios de estradas na I- 5 e 1-805 que leva à fronteira mexicana perto dos cruzamentos de San Ysidro e San Diego, onde o trio possivelmente pode estar acontecendo . " Ramos e Martinez ambos têm família na área de Ensenada , ao sul da fronteira e várias ligações com o submundo mexicano ", afirmou North County funcionário da prisão John Bennett . "Nós temos que ter certeza de que vamos cobrir todas as bases em apreender estes homens. "

A polícia também questionaram os membros da banda de heavy metal Lambesis 'As I Lay Dying , sua ex-esposa Meggan Murphy Lambesis e sua família para ver se possível contato foi feito para eles desde o fugitivo. A polícia também alertam que os fugitivos possam estar armado e perigoso. Mais detalhes serão fornecidos quando eles se tornam conhecidos.

Fonte:
metalunderground.com

terça-feira, 1 de abril de 2014

Norman Geisler:o livre arbítrio


O livre arbítrio – Norman Geisler


O livre arbítrio – Norman Geisler
As ideias sobre a natureza do livre arbítrio humano dividem-se em três categorias: determinismo, indeterminismo e autodeterminismo. O determinista leva em conta as ações causadas por outro, o indeterminista as ações não causadas e o autodeterminista as ações autocausadas.
Determinismo. Há dois tipos básicos de determinismo: naturalista e teísta. O determinista naturalista é mais prontamente associado ao psicólogo comportamental B. F. SKINNER. Skinner acreditava que todo comportamento humano é determinado por fatores genéticos e comportamentais. Os seres humanos só agem conforme sua programação.
Todos os que aceitam as formas rígidas da teologia calvinista acreditam em algum nível de determinismo teísta. Jonathan EDWARDS relacionava todas as ações a Deus como Primeira Causa. “Livre arbítrio” para Edwards é fazer o que se quer, e Deus é o Autor dos desejos do coração. Deus é soberano, está no controle de tudo e, em última análise, é a causa de tudo. A humanidade pecadora está cativa às suas inclinações, então pode fazer tudo o que quiser, mas o que quiser estará sempre sob o controle de seu coração corrupto e mundano. A graça de Deus controla ações como Deus controla desejos e pensamentos, bem como ações correspondentes.
Resposta ao determinismo. Os indeterministas respondem que a ação autocausada não é impossível e que não é necessário atribuir todas as ações à Primeira Causa (Deus). Algumas ações podem ser causadas por seres humanos aos quais Deus deu liberdade moral. O livre arbítrio não é, como Edwards afirma, fazer o que deseja (com Deus dando os desejos). É fazer o que decide, o que nem sempre é a mesma coisa. Não é necessário rejeitar o controle soberano de Deus para negar o determinismo. Deus pode controlar pela onisciência tanto quanto pelo poder causal.
Duas formas de determinismo podem ser diferenciadas: rígida e moderada. O determinista rígido acredita que todas as ações são causadas por Deus, que Deus é a única causa eficiente. O determinista moderado acredita que Deus como Causa Primária é compatível com o livre arbítrio humano como Causa Secundária.
Indeterminismo. Segundo o indeterminista, poucas ações humanas (se de fato alguma é) são causadas. Eventos e ações são contingentes e espontâneos. Charles Pierce e William JAMES eram indeterministas.
Argumentos a favor do indeterminismo. Os argumentos a favor do indeterminismo seguem a natureza das ações livres. Já que estas não seguem nenhum padrão determinado, conclui-se que são indeterminadas. Alguns indeterministas contemporâneos recorrem ao princípio de indeterminação de Werner Heisenberg para apoiar sua posição. Segundo esse princípio, eventos no âmbito subatômico (como a trajetória específica de determinada partícula) são completamente imprevisíveis.
Conforme o argumento da imprevisibilidade das ações livres, uma ação deve ser previsível para ser determinada. Mas ações livres não são previsíveis. Logo, são indeterminadas.
Crítica ao indeterminismo. Todas as formas de indeterminismo naufragam no princípio da causalidade, que afirma que todos os eventos têm causa. Mas o indeterminismo afirma que escolhas livres são eventos não causados.
O indeterminismo torna o mundo irracional e a ciência impossível. É contrário à razão afirmar que as coisas acontecem aleatoriamente, sem uma causa. Logo, a indeterminação é reduzida ao irracionalismo. As ciências de operação e das origens dependem do princípio da causalidade. Só porque uma ação livre não é causada por outra não significa que é não causada. Poderia ser autocausada.
O uso do princípio de Heisenberg é mal aplicado, já que não lida com a causalidade de um evento, mas com a imprevibilidade.
O indeterminismo rouba a responsabilidade moral dos seres humanos, já que não são a causa dessas ações. Se não são, por que deveriam ser culpados por ações malignas? O indeterminismo, pelo menos na escala cósmica, é inaceitável do ponto de vista bíblico, já que Deus está relacionado causalmente ao mundo como Criador (Gn 1) e Sustentador de todas as coisas (Cl 1.15,16).
Autodeterminismo. De acordo com essa teoria, as ações morais de uma pessoa não são causadas por outro nem não causadas, mas são causadas pela própria pessoa. É importante saber desde o início exatamente o que significa autodeterminismo ou livre arbítrio. Negativamente, significa que a ação moral não é não causada nem é causada por outro. Não é nem indeterminada nem determinada por outro. Positivamente, é moralmente autodeterminada, uma ação livremente escolhida, sem compulsão, em que seria possível fazer o contrário. Vários argumentos apoiam essa posição.
Argumentos a favor do autodeterminismo. Ou as ações morais são não causadas, ou são causadas por outro, ou são causadas pela própria pessoa. Mas nenhuma ação pode ser desprovida de causa, já que isso viola o princípio racional fundamental segundo o qual todo evento tem uma causa. E as ações de uma pessoa não podem ser causadas por outros, pois nesse caso não seriam ações pessoais. Além disso, se as ações da pessoa são causadas por outro, como responsabilizá-la por elas? Tanto Agostinho (em Do livre arbítrio e Da graça e do livre arbítrio) quanto Tomás de Aquino eram autodeterministas, e também o são os calvinistas moderados e arminianos contemporâneos.
A negação de que algumas ações podem ser livres é contraditória. O determinista completo insiste em que tanto deterministas quanto indeterministas estão determinados a acreditar no que acreditam. Mas os deterministas acreditam que os autodeterministas estão errados e devem mudar sua posição. Mas “deve mudar” implica liberdade para mudar, o que é contrário ao determinismo. Se Deus é a causa de todas as ações humanas, então os seres humanos não são moralmente responsáveis. E não faz sentido louvar os seres humanos por fazerem o bem nem culpá-los por fazerem o mal.
Uma dimensão dessa controvérsia está relacionada com o conceito de “eu”. O autodeterminista acredita que haja um “eu” (sujeito) que é mais que o objeto. Isto é, minha subjetividade transcende minha objetividade. Não posso colocar tudo o que sou sob a lente de um microscópio para analisar, como um objeto. Eu sou mais que minha objetividade. Esse “eu” que transcende a objetificação é livre. O cientista que tenta estudar o eu sempre transcende a experiência. O cientista está sempre do lado de fora olhando para dentro. Na verdade, “eu” sou livre para “me” rejeitar. Isso não é determinado pela objetividade, nem está sujeito a ficar preso à analise científica. Como tal, o “eu” é livre.
Objeções ao autodeterminismo. O livre arbítrio elimina a soberania. Se os seres humanos são livres, estão fora da soberania de Deus? Ou Deus determina tudo, ou não é soberano. E se ele determina tudo, então não há ações autodeterminadas.
É suficiente observar que Deus soberanamente delegou o livre arbítrio a algumas de suas criaturas. Não havia necessidade de fazê-lo. Então o livre arbítrio é um poder soberanamente dado para fazer escolhas morais. Só a liberdade absoluta seria contrária à soberania absoluta de Deus. Mas a liberdade humana é uma liberdade limitada. Os seres humanos não estão livres para se tornar Deus. Um ser contingente não pode tornar-se um Ser Necessário. Pois um Ser Necessário não pode ser criado. Deve ser sempre o que é.
O livre arbítrio é contrário à graça. Alega-se que os as ações livres e boas vêm da graça de Deus ou de nossa iniciativa. Mas no caso da última, elas não são resultado da graça de Deus (Ef 2.8-9). Todavia, essa não é uma conclusão lógica. O livre arbítrio é um dom gracioso. Além disso, a graça especial não é imposta coercivamente à pessoa. A graça, pelo contrário, age persuasivamente. A posição rígida determinista confunde a natureza da fé. A capacidade da pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é a mesma coisa que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito ao receptor do dom, e não ao Doador.
A ação autocausada é logicamente impossível. Alega-se que o autodeterminismo significa causar a si mesmo, o que é impossível. Uma pessoa não pode ser anterior a si mesma, que é a implicação da ação autocausada. Essa objeção interpreta mal o determinismo, que não significa que a pessoa causa a si mesma, mas sim causa o acontecimento de outra coisa. Uma ação autodeterminada é determinada pela própria pessoa, não por outra.
O autodeterminismo é contrário à causalidade. Se todas as ações precisam de causa, da mesma forma acontece com as ações da vontade, que não são causadas pela pessoa, mas por outra coisa. Se tudo precisa de uma causa, as pessoas que executam as ações também precisam.
Não há violação do princípio da causalidade real no exercício das ações livres. O princípio não afirma que todas as coisas (seres) precisam de uma causa. Coisas finitas precisam de uma causa. Deus é não causado. A pessoa que realiza as ações livres é causada por Deus. O poder da liberdade é causado por Deus, mas o exercício da liberdade é causado pela pessoa. O eu é a primeira causa das ações pessoais. O princípio da causalidade não é violado pelo fato de todo ser finito e toda ação ter uma causa.
O autodeterminismo é contrário à predestinação. Outros alegam que o autodeterminismo é contrário à predestinação de Deus. Mas o autodeterminismo responde que Deus pode predeterminar de várias maneiras. Pode determinar 1) contrariamente ao livre arbítrio (forçando a pessoa a fazer o que ela não escolhe fazer); 2) baseado nas livres escolhas já feitas (esperando para ver o que a pessoa vai fazer); 3) sabendo de modo onisciente o que a pessoa fará “de acordo com pré conhecimento de Deus Pai” (1Pe 1.2). “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Ou a posição 2 ou a 3 é coerente com o autodeterminismo. Ambas insistem que Deus pode determinar o futuro pelo livre arbítrio, já que ele sabe oniscientemente com certeza como as pessoas agirão em liberdade. Então, o futuro é determinado do ponto de vista do conhecimento infalível de Deus, mas livre do ponto de vista da escolha humana.
Ligado ao argumento do determinismo rígido está o fato de que, apesar de Adão ter livre arbítrio (Rm 5.12), os seres humanos pecadores estão escravizados pelo pecado e não estão livres para atender a Deus. Mas essa posição é contrária ao chamado constante de Deus a que os homens se arrependam (Lc 13.3; At 2.38) e creiam (p.ex., Jo 3.16; 3.36; At 16.31), e às afirmações diretas de que até os incrédulos têm habilidade de reagir à graça de Deus (Mt 23.37; Jo 7.17; Rm 7.18; 1Co 9.17; Fm 14; 1Pe 5.2).
Esse argumento prossegue afirmando que, se os humanos têm capacidade de atender, então a salvação não é pela graça (Ef 2.8,9), mas pelo esforço humano. No entanto, isso é um engano com relação à natureza da fé. A habilidade de uma pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é o mesmo que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito a quem recebe o dom, e não ao Doador, que o dá graciosamente.
Refêrencias Bíbliográficas
AGOSTINHO, O livre arbítrio.
J. EDWARDS, The freedom of the will.
J. FLETCHER, John Fletcher’s checks to Antinomianism, condensado por P. WISEMAN.
R. T. FOSTER, et al., God’s strategy in human history.
N. L. GEISLER, “Man’s destiny: free or forced”, CSR, 9.2 (1979).
D. HUME, The letters of David Hume.
C. S. LEWIS, Milagres.
M. LUTERO, On grace an free will.
__, The bondage of the will.
B. F. SKINNER, Beyond behaviorism.
__, O mito da liberdade.
TOMÁS DE AQUINO, Suma teológica.

Fonte: Geisler, Norman L. Enciclopédia Apologética: respostas aos críticos da fé cristã; tradução Lailah de Noronha – São Paulo: Editora Vida, 2002. pp. 501-503.
 
Retirado do site: http://arminianos.wordpress.com/2011/11/25/o-livre-arbitrio-norman-geisler/
 
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