domingo, 30 de março de 2014

A origem da Bíblia: Autoridade e Inerrância Bíblia


A palavra "bíblia" é derivada do latim, proveniente da palavra grega bíblia(livros), que diz respeito especificamenle ,aos livros que são reconhecidos como canônicos pela Igreja cristã. Nesse sentido, acredita-se estar o uso cristão mais
antigo da expressão ta bíblia(os livros) na epístola de 2 Cle­mente 2.14 (c. 150 d.C.): "Os livros e os apóstolos declaram que a Igreja... existe desde o princípio" (compare Dn 9.2: "Eu, Daniel, entendi pelos livros...", cuja referência é ao corpus dos escritos proféticos do Antigo Testamento).
O vocábulo grego bíblion (do qual bíblia é o plural) é o diminutivo de biblos, que na prática denota qualquer tipo de documento
escrito, mas originalmente aquele que foi escrito em papiro.
Um termo sinônimo de "a Bíblia" é "os escritos" ou "as escrituras" (em grego hai grapltai, ta grammata),freqüentemente usado no Novo Testamento para designar, no todo ou em par­te, os documentos do Antigo Testamento.
Por exemplo, Mateus 21.42 diz: "Nunca lestes nas Escrituras?" (en tais graphais).A passagem paralela, Marcos 12.10, traz o singular, referindo-se ao particular texto citado: "Ainda não lestes esta Escritura?"
(ten graphen tauteri). Em 2 Timóteo 3.15, temos "as sagra­das letras" (ta hiera grammata), e o versículo seguinte (ARA) diz: "Toda Escritura é inspirada por Deus" (pasagraphe theopneustos). Em 2 Pedro 3.16, "todas" as epísto­las de Paulo são incluídas junto com "as outras Escritu­ras" (tas loipas graphas ), as quais presumem-se que sejam os escritos do Antigo Testamento e provavelmente os evangelhos também.
O Novo Testamento
Os primeiros documentos do Novo Testamento a serem escritos foram as primeiras epístolas de Paulo. Estas (junto, possivelmente, com a epístola de Tiago) foram compostas entre 48 e 60 d.C., antes mesmo que o mais antigo dos Evangelhos fosse escrito. Os quatro evangelhos pertencem às décadas entre 60 e 100 d.C., e é também a esse período que se atribui todos (ou quase todos) os outros escritos do Novo Testamento. Enquanto a composição dos livros do Antigo Testamento se estendeu por um período de mil anos ou mais, os livros do Novo Testamento foram escritos em menos de um século.
A autoridade da Bíblia.
Nas Escrituras, o caráter e a vontade de Deus, o significado da existência humana, a natureza do reino espiritual e os propósitos de Deus para os seres humanos de todas as épocas estão expostos de forma propositadamente inteligível, de sorte que todos podem compreender. A Bíblia proclama de maneira objetiva os critérios pelos quais Deus julga as pessoas e as nações, e os meios para a recuperação moral e a restauração à comunhão pessoal com Ele. O naturalismo moderno refuta a autoridade bíblica e ataca a afirmação de que a Bíblia é a Palavra escrita de Deus, ou seja, que é uma revelação transcendente da mente e vontade de Deus em uma forma objetiva de literatura. A autoridade escriturística é o foco da polêmica tanto na controvérsia a respeito da religião revelada quanto no conflito moderno relacionado com os valores civilizacionais.
Alta Crítica
Mas a alta crítica proporcionou alguns reversos espetaculares e até mesmo atordoantes, principalmente através de achados arqueológicos. Já não há mais sustentação para afirmar que as glórias da época do rei Salomão sejam uma fabricação literária, que "Jeová", o Deus redentor dos hebreus, fosse desconhecido antes dos profetas do século VIII, ou que a exposição de fatos feita por Esdras acerca do cativeiro babilônico seja imaginária. Os arqueólogos localizaram as minas de cobre dos dias de Salomão, que há muito estavam perdidas. Tabuinhas de argila encontradas em Ebla, perto de Alepo, confirmam que nomes parecidos com os dos patriarcas eram comuns entre os povos que viviam em Ebla pouco tempo antes que acontecessem os eventos registrados nos últimos capítulos de Gênesis.

John T. Robinson, crítico do Novo Testamento, admitiu em Redating the New Testament(1906), que a última datação dos livros do Novo Testamento feita pelos críticos não é nem um pouco convincente. Robinson argumentou que o fato de os evangelhos e as epístolas não mencionarem a destruição do templo em 70 d.C. é prova de que os escritos foram feitos antes, pois do contrário essa reviravolta nos acontecimentos teria sido usada apologeticamente pelos escritores. Entretanto, seria melhor chegar a datas de composição partindo daquilo que os escritores ensinam e de quem eles são, em vez de se basear no que os escritos não contêm. Também não é de bom tom ser guiado primariamente por uma suposta motivação apologética que sustente tais composições. Há muito que o ponto de vista "documentário" das Escrituras é considerado pelos eruditos não-evangélicos como a conquista mais firmemente estabelecida da crítica literária e histórica. A teoria de que as narrativas do Antigo Testamento são produto da "redação" de editores que combinaram relatos distintos em uma única narrativa tem tido — até recentemente — apoio de quase todos os prestimosos eruditos do Antigo Testamento fora dos círculos evangélicos. 

Mas a teoria, também conhecida como "hipótese documentária" ou "J-E-P-D"1 (cada letra representando um suposto documento), tem estado sob contestação em termos de montagem. Umberto Cassuto (1883-1951), que mantinha a cátedra da Bíblia na Universidade Hebraica de Jerusalém, repudiou a prevalecente noção dos críticos de que as narrativas bíblicas obtiveram sua unidade através da redação literária (edição), mas reteve as datas relativamente tardias para a completação do Pentateuco e do livro de Isaías (Biblical and Oriental Studies,publicado postumamente, 1973). Em entrevista concedida à revista Christianity Today,em 1959, Cyrus H. Gordon, destacado erudito judaico, rejeitou a idéia de que o uso de Elohim e Jeová, como nomes divergentes para Deus implica em diferentes fontes literárias ("Higher Critics and Forbidden Fruit")

Recentes pesquisas lingüísticas apóiam o argumento de que variações no estilo refletem o andamento e a disposição de espírito das narrativas, sendo menos provável que sejam identificadoras de supostos redatores. Robert Longacre arrazoou que "a suposição de divergentes fontes documentárias", como por exemplo, na história do dilúvio, é desnecessária e "obscurece em muito a estrutura verdadeira­mente elegante da história". Assim, pontos de vista críticos mais antigos que atribuem os ensinamentos das Escrituras não aos beneficiários originalmente nomeados da revelação divina, mas a redatores editoriais tardios, estão se colocando a si próprios sob nova crítica. Além disso, Bernard Childs argumentou persuasivamente contra a interpretação de que existem por detrás dos escritos canônicos fontes mais antigas e mais confiáveis, que os escritores bíblicos mitificaram no interesse do culto hebraico.
A Questão da Inerrância
A doutrina da autoridade bíblica tem sido subvertida por ataques em sua confiabilidade histórica e científica e por presumivelmente delinear seus ensinamentos de acordo com falíveis fontes humanas. Além disso, vez por outra, a doutrina é desnecessariamente toldada por radicais apologistas conservadores, que exageram o que a autoridade bíblica pressupõe e demanda. Alguns eruditos conservadores repudiam toda crítica histórica como hostil à autoridade bíblica e distinguem os cristãos "verdadeiros" dos "falsos" baseando-se no compromisso à "inerrância bíblica". Se alguém aceita a "plena" inspiração divina da Escritura — isto é, a superintendência de Deus no todo —, então, indubitavelmente, a doutrina da autoridade bíblica implica em "inerrância" de conteúdo. Mas a fé cristã mal pode esperar para expor suas declarações mediante o repúdio à crítica histórica. Fazer isso implicaria que, a fim de sustentar sua posição, teria de recorrer a interpretações não-críticas da história. A "alta crítica", a qual é por muitíssimas vezes perseguida com pressuposições arbitrárias, que promovem conclusões injustificáveis, o crente deve responder com crítica sã, que seja bem-sucedida em legitimar as suposições e conceder vereditos defensíveis.

O cristianismo evangélico deveria advogar a inerrância das Escrituras como um compromisso teológico sadio, algo que seja consistente com o que a Bíblia diz acerca de si mesma. Mas não precisa repudiar a integridade cristã de todos os que não com partilhem desse compromisso, nem considerá-los como desesperadamente apóstatas. J. Gresham Machen, brilhante apologista evangélico das décadas de 1920 e 1930 e fiel defensor da inerrância escriturística, escreveu que a doutrina da inspiração plenária "é negada não apenas pelos adversários liberais do Cristianismo, como também por muitos cristãos verdadeiros... por muitos da igreja moderna... que aceitam a mensagem central da Bíblia e, não obstante, acreditam que a mensagem chegou até nós tão somente pela autoridade de testemunhas fidedignas, que não foram ajudadas em sua obra literária por alguma direção sobrenatural do Espírito de Deus. Há muitos que crêem que a Bíblia é verdadeira em seu tema central, em sua narrativa da obra de redenção de Cristo, e ao mesmo tempo acreditam que ela contém muitos erros. Tais pessoas não são na verdade liberais, mas cristãos, porque aceitam como verdadeira a mensagem sobre a qual o Cristianismo se apóia" (Christianity and Liberalism,p. 75). 

Contudo, o próprio Machen nunca titubeou em sua convicção de que a Bíblia inteira deve ser considerada "o âmago da autoridade". Estava convencido de que a doutrina da inerrância evita a instabilidade no expor a doutrina autoritária e os princípios morais. Insistia que uma interpretação "conciliatória" da Bíblia não é sustentável. Os "modernistas", que afirmam honrar a autoridade de Jesus Cristo em vez da autoridade das Escrituras, contradizem os ensinamentos de Jesus, visto que Jesus sustentava uma alta opinião a respeito das Escrituras. Além disso, a completa explanação da vida e obra de Jesus dependia de sua crucificação, ressurreição e ministério celestial, e era atribuída à inspiração do Espírito Santo nos apóstolos. E ilógico selecionar e escolher entre os ensinamentos efetuados por Jesus durante seu ministério terreno, somente aqueles elementos que servem às pressuposições de quem quer que seja.

No final das contas, a rejeição da plena fidedignidade das Escrituras pode levar alguém a atribuir a Jesus um propósito de vida diferente do exposto na Bíblia, qual seja, que Ele morreu e ressuscitou corporeamente, a fim de ser a fonte do perdão divino para os pecadores. A posição evangélica histórica é resumida nas palavras de Frank E. Gaebelein, editor geral de The Expositor*’ Bible Commentary.No prefácio desse comentário, Gaebelein fala sobre um "evangelicismo erudito, [que foi] comissionado à inspiração divina, à completa fidedignidade e à plena autoridade da Bíblia". A Escritura é autoritária e completamente digna de confiança, porque é divinamente inspirada. O teólogo luterano Francis Pieper correlaciona diretamente a autoridade da Bíblia com sua inspiração: "A autoridade divina das Escrituras baseia-se somente em sua natureza, em seu theopneustos”, isto é, em sua característica como "inspirada por Deus". J. I. Packer comenta que todo compromisso com a autenticidade da Bíblia deve, ao mesmo tempo, ser considerado como um compromisso com sua autoridade: "Afirmar a inerrância e infalibilidade da Bíblia é o mesmo que confessar fé (i) na origem divina da Bíblia e na autenticidade e fidedignidade de Deus. 

O valor desses termos está em que conservam os princípios da autoridade bíblica; pois declarações que não são absolutamente verdadeiras e confiáveis também não podem ser absolutamente autoritárias". Packer reforça esse argumento ao demonstrar que Jesus, os apóstolos e a Igreja Primitiva concordavam que o Antigo Testamento era não apenas totalmente digno de confiança, mas também autoritário. Sendo um cumprimento do Antigo Testamento, o Novo Testamento não tinha menos autoridade. Jesus delegou aos discípulos a sua própria autoridade nos ensinamentos que faziam, de modo que a Igreja Primitiva aceitou o que ensinavam. Como revelação de Deus, a Escritura permanece acima dos limites da afirmação humana. 

Trechos do livro: A origem da Bíblia de Philip Wesley Comfort.

Curtam nossa pagína: Cristianismounderground

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domingo, 30 de março de 2014

A origem da Bíblia: Autoridade e Inerrância Bíblia


A palavra "bíblia" é derivada do latim, proveniente da palavra grega bíblia(livros), que diz respeito especificamenle ,aos livros que são reconhecidos como canônicos pela Igreja cristã. Nesse sentido, acredita-se estar o uso cristão mais
antigo da expressão ta bíblia(os livros) na epístola de 2 Cle­mente 2.14 (c. 150 d.C.): "Os livros e os apóstolos declaram que a Igreja... existe desde o princípio" (compare Dn 9.2: "Eu, Daniel, entendi pelos livros...", cuja referência é ao corpus dos escritos proféticos do Antigo Testamento).
O vocábulo grego bíblion (do qual bíblia é o plural) é o diminutivo de biblos, que na prática denota qualquer tipo de documento
escrito, mas originalmente aquele que foi escrito em papiro.
Um termo sinônimo de "a Bíblia" é "os escritos" ou "as escrituras" (em grego hai grapltai, ta grammata),freqüentemente usado no Novo Testamento para designar, no todo ou em par­te, os documentos do Antigo Testamento.
Por exemplo, Mateus 21.42 diz: "Nunca lestes nas Escrituras?" (en tais graphais).A passagem paralela, Marcos 12.10, traz o singular, referindo-se ao particular texto citado: "Ainda não lestes esta Escritura?"
(ten graphen tauteri). Em 2 Timóteo 3.15, temos "as sagra­das letras" (ta hiera grammata), e o versículo seguinte (ARA) diz: "Toda Escritura é inspirada por Deus" (pasagraphe theopneustos). Em 2 Pedro 3.16, "todas" as epísto­las de Paulo são incluídas junto com "as outras Escritu­ras" (tas loipas graphas ), as quais presumem-se que sejam os escritos do Antigo Testamento e provavelmente os evangelhos também.
O Novo Testamento
Os primeiros documentos do Novo Testamento a serem escritos foram as primeiras epístolas de Paulo. Estas (junto, possivelmente, com a epístola de Tiago) foram compostas entre 48 e 60 d.C., antes mesmo que o mais antigo dos Evangelhos fosse escrito. Os quatro evangelhos pertencem às décadas entre 60 e 100 d.C., e é também a esse período que se atribui todos (ou quase todos) os outros escritos do Novo Testamento. Enquanto a composição dos livros do Antigo Testamento se estendeu por um período de mil anos ou mais, os livros do Novo Testamento foram escritos em menos de um século.
A autoridade da Bíblia.
Nas Escrituras, o caráter e a vontade de Deus, o significado da existência humana, a natureza do reino espiritual e os propósitos de Deus para os seres humanos de todas as épocas estão expostos de forma propositadamente inteligível, de sorte que todos podem compreender. A Bíblia proclama de maneira objetiva os critérios pelos quais Deus julga as pessoas e as nações, e os meios para a recuperação moral e a restauração à comunhão pessoal com Ele. O naturalismo moderno refuta a autoridade bíblica e ataca a afirmação de que a Bíblia é a Palavra escrita de Deus, ou seja, que é uma revelação transcendente da mente e vontade de Deus em uma forma objetiva de literatura. A autoridade escriturística é o foco da polêmica tanto na controvérsia a respeito da religião revelada quanto no conflito moderno relacionado com os valores civilizacionais.
Alta Crítica
Mas a alta crítica proporcionou alguns reversos espetaculares e até mesmo atordoantes, principalmente através de achados arqueológicos. Já não há mais sustentação para afirmar que as glórias da época do rei Salomão sejam uma fabricação literária, que "Jeová", o Deus redentor dos hebreus, fosse desconhecido antes dos profetas do século VIII, ou que a exposição de fatos feita por Esdras acerca do cativeiro babilônico seja imaginária. Os arqueólogos localizaram as minas de cobre dos dias de Salomão, que há muito estavam perdidas. Tabuinhas de argila encontradas em Ebla, perto de Alepo, confirmam que nomes parecidos com os dos patriarcas eram comuns entre os povos que viviam em Ebla pouco tempo antes que acontecessem os eventos registrados nos últimos capítulos de Gênesis.

John T. Robinson, crítico do Novo Testamento, admitiu em Redating the New Testament(1906), que a última datação dos livros do Novo Testamento feita pelos críticos não é nem um pouco convincente. Robinson argumentou que o fato de os evangelhos e as epístolas não mencionarem a destruição do templo em 70 d.C. é prova de que os escritos foram feitos antes, pois do contrário essa reviravolta nos acontecimentos teria sido usada apologeticamente pelos escritores. Entretanto, seria melhor chegar a datas de composição partindo daquilo que os escritores ensinam e de quem eles são, em vez de se basear no que os escritos não contêm. Também não é de bom tom ser guiado primariamente por uma suposta motivação apologética que sustente tais composições. Há muito que o ponto de vista "documentário" das Escrituras é considerado pelos eruditos não-evangélicos como a conquista mais firmemente estabelecida da crítica literária e histórica. A teoria de que as narrativas do Antigo Testamento são produto da "redação" de editores que combinaram relatos distintos em uma única narrativa tem tido — até recentemente — apoio de quase todos os prestimosos eruditos do Antigo Testamento fora dos círculos evangélicos. 

Mas a teoria, também conhecida como "hipótese documentária" ou "J-E-P-D"1 (cada letra representando um suposto documento), tem estado sob contestação em termos de montagem. Umberto Cassuto (1883-1951), que mantinha a cátedra da Bíblia na Universidade Hebraica de Jerusalém, repudiou a prevalecente noção dos críticos de que as narrativas bíblicas obtiveram sua unidade através da redação literária (edição), mas reteve as datas relativamente tardias para a completação do Pentateuco e do livro de Isaías (Biblical and Oriental Studies,publicado postumamente, 1973). Em entrevista concedida à revista Christianity Today,em 1959, Cyrus H. Gordon, destacado erudito judaico, rejeitou a idéia de que o uso de Elohim e Jeová, como nomes divergentes para Deus implica em diferentes fontes literárias ("Higher Critics and Forbidden Fruit")

Recentes pesquisas lingüísticas apóiam o argumento de que variações no estilo refletem o andamento e a disposição de espírito das narrativas, sendo menos provável que sejam identificadoras de supostos redatores. Robert Longacre arrazoou que "a suposição de divergentes fontes documentárias", como por exemplo, na história do dilúvio, é desnecessária e "obscurece em muito a estrutura verdadeira­mente elegante da história". Assim, pontos de vista críticos mais antigos que atribuem os ensinamentos das Escrituras não aos beneficiários originalmente nomeados da revelação divina, mas a redatores editoriais tardios, estão se colocando a si próprios sob nova crítica. Além disso, Bernard Childs argumentou persuasivamente contra a interpretação de que existem por detrás dos escritos canônicos fontes mais antigas e mais confiáveis, que os escritores bíblicos mitificaram no interesse do culto hebraico.
A Questão da Inerrância
A doutrina da autoridade bíblica tem sido subvertida por ataques em sua confiabilidade histórica e científica e por presumivelmente delinear seus ensinamentos de acordo com falíveis fontes humanas. Além disso, vez por outra, a doutrina é desnecessariamente toldada por radicais apologistas conservadores, que exageram o que a autoridade bíblica pressupõe e demanda. Alguns eruditos conservadores repudiam toda crítica histórica como hostil à autoridade bíblica e distinguem os cristãos "verdadeiros" dos "falsos" baseando-se no compromisso à "inerrância bíblica". Se alguém aceita a "plena" inspiração divina da Escritura — isto é, a superintendência de Deus no todo —, então, indubitavelmente, a doutrina da autoridade bíblica implica em "inerrância" de conteúdo. Mas a fé cristã mal pode esperar para expor suas declarações mediante o repúdio à crítica histórica. Fazer isso implicaria que, a fim de sustentar sua posição, teria de recorrer a interpretações não-críticas da história. A "alta crítica", a qual é por muitíssimas vezes perseguida com pressuposições arbitrárias, que promovem conclusões injustificáveis, o crente deve responder com crítica sã, que seja bem-sucedida em legitimar as suposições e conceder vereditos defensíveis.

O cristianismo evangélico deveria advogar a inerrância das Escrituras como um compromisso teológico sadio, algo que seja consistente com o que a Bíblia diz acerca de si mesma. Mas não precisa repudiar a integridade cristã de todos os que não com partilhem desse compromisso, nem considerá-los como desesperadamente apóstatas. J. Gresham Machen, brilhante apologista evangélico das décadas de 1920 e 1930 e fiel defensor da inerrância escriturística, escreveu que a doutrina da inspiração plenária "é negada não apenas pelos adversários liberais do Cristianismo, como também por muitos cristãos verdadeiros... por muitos da igreja moderna... que aceitam a mensagem central da Bíblia e, não obstante, acreditam que a mensagem chegou até nós tão somente pela autoridade de testemunhas fidedignas, que não foram ajudadas em sua obra literária por alguma direção sobrenatural do Espírito de Deus. Há muitos que crêem que a Bíblia é verdadeira em seu tema central, em sua narrativa da obra de redenção de Cristo, e ao mesmo tempo acreditam que ela contém muitos erros. Tais pessoas não são na verdade liberais, mas cristãos, porque aceitam como verdadeira a mensagem sobre a qual o Cristianismo se apóia" (Christianity and Liberalism,p. 75). 

Contudo, o próprio Machen nunca titubeou em sua convicção de que a Bíblia inteira deve ser considerada "o âmago da autoridade". Estava convencido de que a doutrina da inerrância evita a instabilidade no expor a doutrina autoritária e os princípios morais. Insistia que uma interpretação "conciliatória" da Bíblia não é sustentável. Os "modernistas", que afirmam honrar a autoridade de Jesus Cristo em vez da autoridade das Escrituras, contradizem os ensinamentos de Jesus, visto que Jesus sustentava uma alta opinião a respeito das Escrituras. Além disso, a completa explanação da vida e obra de Jesus dependia de sua crucificação, ressurreição e ministério celestial, e era atribuída à inspiração do Espírito Santo nos apóstolos. E ilógico selecionar e escolher entre os ensinamentos efetuados por Jesus durante seu ministério terreno, somente aqueles elementos que servem às pressuposições de quem quer que seja.

No final das contas, a rejeição da plena fidedignidade das Escrituras pode levar alguém a atribuir a Jesus um propósito de vida diferente do exposto na Bíblia, qual seja, que Ele morreu e ressuscitou corporeamente, a fim de ser a fonte do perdão divino para os pecadores. A posição evangélica histórica é resumida nas palavras de Frank E. Gaebelein, editor geral de The Expositor*’ Bible Commentary.No prefácio desse comentário, Gaebelein fala sobre um "evangelicismo erudito, [que foi] comissionado à inspiração divina, à completa fidedignidade e à plena autoridade da Bíblia". A Escritura é autoritária e completamente digna de confiança, porque é divinamente inspirada. O teólogo luterano Francis Pieper correlaciona diretamente a autoridade da Bíblia com sua inspiração: "A autoridade divina das Escrituras baseia-se somente em sua natureza, em seu theopneustos”, isto é, em sua característica como "inspirada por Deus". J. I. Packer comenta que todo compromisso com a autenticidade da Bíblia deve, ao mesmo tempo, ser considerado como um compromisso com sua autoridade: "Afirmar a inerrância e infalibilidade da Bíblia é o mesmo que confessar fé (i) na origem divina da Bíblia e na autenticidade e fidedignidade de Deus. 

O valor desses termos está em que conservam os princípios da autoridade bíblica; pois declarações que não são absolutamente verdadeiras e confiáveis também não podem ser absolutamente autoritárias". Packer reforça esse argumento ao demonstrar que Jesus, os apóstolos e a Igreja Primitiva concordavam que o Antigo Testamento era não apenas totalmente digno de confiança, mas também autoritário. Sendo um cumprimento do Antigo Testamento, o Novo Testamento não tinha menos autoridade. Jesus delegou aos discípulos a sua própria autoridade nos ensinamentos que faziam, de modo que a Igreja Primitiva aceitou o que ensinavam. Como revelação de Deus, a Escritura permanece acima dos limites da afirmação humana. 

Trechos do livro: A origem da Bíblia de Philip Wesley Comfort.

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