quinta-feira, 31 de outubro de 2013 0 comentários

As 95 Teses de Martinho Lutero

As 95 Teses de Martinho Lutero





por

Martinho Lutero

        

        Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante.

        Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

        Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

       


        1ª Tese

         

        Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

        2ª Tese

          

        E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

        3ª Tese

         

        Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

        4ª Tese

       

        Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

        5ª Tese

          

        O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

        6ª Tese

         

        O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

        7ª Tese

         

        Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

        8ª Tese

         

        Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

       9ª Tese

          

        Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

       10ª Tese

          

        Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

        11ª Tese

         

        Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

        12ª Tese
         

       Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

        13ª Tese

          

        Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

        14ª Tese

         

        Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

       15ª Tese

        

        Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

        16ª Tese

          

        Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

        17ª Tese

         

        Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

        18ª Tese

          

        Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

        19ª Tese

          

       Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

        20ª Tese

          

        Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

        21ª Tese

          

        Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

        22ª Tese

         

        Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

        23ª Tese

          

        Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

        24ª Tese

          

        Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

        25ª Tese

         

        Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

        26ª Tese

   
        O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

        27ª Tese

          

        Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

        28ª Tese

         

       Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

        29ª Tese

         

        E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

        30ª Tese

         

        Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

        31ª Tese

          

        Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

        32ª Tese

        

        Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

        33ª Tese

          

        Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

        34ª Tese

        

        Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

        35ª Tese

         

        Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

        36ª Tese

          

        Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

        37ª Tese

          

        Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

        38ª Tese

          

        Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

        39ª Tese

         

        É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

        40ª Tese

          

        O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

        41ª Tese

         

        É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

        42ª Tese

         

        Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

        43ª Tese

        

        Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

        44ª Tese

         

        Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

        45ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

        46ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

        47ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

        48ª Tese

       

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

        49ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

        50ª Tese

         

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

        51ª Tese

       

        Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

        52º Tese

          

        Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

        53ª Tese

         

        São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

        54ª Tese

          

        Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

        55ª Tese

          

        A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

        56ª Tese

          

        Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

        57ª Tese

          

        Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

        58ª Tese

         

        Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

       59ª Tese

         

        São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

        60ª Tese

 
       Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

       61ª Tese

        

        Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

        62ª Tese

          

        O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

        63ª Tese

        

        Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

        64ª Tese

         

        Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

        65ª Tese

         

        Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

        66ª Tese

         

        Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

        67ª Tese
       

       As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

        68ª Tese

        

        Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

        69ª Tese

          

        Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-

        70ª Tese

          

        Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

       71ª Tese

          

        Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

        72ª Tese

         

       Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

        73ª Tese

          

        Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

        74ª Tese

        

        Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

        75ª Tese

        

       Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

        78 ª Tese

          

        Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

        77ª Tese

          

        Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

        78ª Tese

          

        Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

        79ª Tese

         

        Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

        80ª Tese

          

        Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

        81ª Tese

          

        Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

        82 ª Tese

          

        Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

        83ª Tese

          

        Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

        84ª Tese

        

       Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

        85ª Tese

          

        Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

        86ª Tese

        

       Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

        87ª Tese

          

        Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

        88ª Tese

        

        Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

        89ª Tese

          

        Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

        90ª Tese

        

        Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

        91ª Tese

   

        Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

        92ª Tese

         
        Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

        93ª Tese


        Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

        94ª Tese

               Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

        95ª Tese
         
       E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Fontes: Monergismo

Feliz 496 Anos da Reforma Protestante
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terça-feira, 29 de outubro de 2013 0 comentários

A lenda do metal cristão "Bride" Anuncia seu fim



Dale Thompson vocalista e líder da lenda do metal cristão "Bride" anunciou em português em seu facebook
que após o lançamento do  novo álbum "Incorruptible" no fim de outubro encerará  suas atividades.
Esse será o último álbum do Bride, uma excelente banda que deixou seu legado, com os excelentes vocais do Dale, e  grandes álbuns clássicos como: Snakes In The Playground, Kinetic Faith, End Of The Age, Silence Is Madness, Scarecrow Messiah, entre outros. Vários shows aqui no nosso Brasil.
Tudo que é bom, tem um final. E agora é a vez do Bride.

Fontes: Facebook Dale Thompson

Mais uma banda que anuncia seu fim, agora temos o Deliverance, Mortification e o Bride, mas esse ano de 2013, foi excelente para o metal cristão, pois tivermos/teremos lançamentos de álbum grandes bandas que também assim como o Bride marcaram o metal cristão, temos novo álbum do Stryper, Bloodgood, Deliverance, WhiteHeart, Living Sacrifice, Extol ...

Abaixo ouça músicas prévia do novo álbum, postado pelo próprio D.Thompson.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013 1 comentários

"The Church Reborn in flames" vol.1

Saudações galera, é com um imenso prazer que lhes apresento a primeira coletânea de metal extremo de nossa página, a “The Church Reborn In Flames” é voltada para galera do cenário Christian Black Metal ou Un'Black Metal, variando desde o Symphonic black metal até o Raw black metal. Curtam e compartilhem, vamos juntos levar a mensagem de Cristo. O nome da coletânea sugerido por Edy Marques, faz referência as igrejas queimadas pelo Varg músico fundador da banda "Burzum". Apesar dessas atitudes e ataques, a igreja de Cristo, permanece firme e fiel, não apenas restrita a templos, mas se entendendo ao corações de cada Cristão. Coletânea feita por Alberson Ferreira, administrador da nossa página no facebook.

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Tracklist
01 - Satanic Emperor - Imperial Dusk
02 - Reach For The Sky - Grave Declaration
03 - Judgement -Nephesh The Last
04 -A Song For the Immortals - Cerimonial Sacred
05 - Veni Sancte Spiritus - Bleakwail
06 - Crush the Bloodied Horns of the Goat -Horde
07 - Dogs of Antichrist - Demoniciduth
08 - Without A Veil Concealing My Sight- Shadows Of Paragon
09 - Silence The Blasphemous Chanting - Horde
10 - Shadows Of Death - Wintersoul
11 - Besieged - Slechtvalk
12 - Christ Is Lord, There Is No Other - O, Majestic Winter
Download:

Em breve mais novidades!
quarta-feira, 9 de outubro de 2013 0 comentários

Lançamento do novo álbum "Ghost Thief" do Living Sacrifice

A banda Living Sacrifice anunciou em sua página no facebook, o lançamento do novo álbum
intitulado de "Ghost Thief" que será lançado no dia 11 de novembro de 2013.
Segue abaixo a arte da capa e o tracklist.  Destaque para primeira faixa que terá participação
especial do Ryan Clark vocalista do Demon Hunter, que no álbum Storm The Gates of Hell do
Demon Hunter, convidou o Bruce Fitzhugh para participar da faixa "Sixteen".





Tracklist
1 Screwtape (featuring Ryan Clark)
2 Ghost Thief
3 The Reaping
4 Straw Man
5 Sudden
6 Mask
7 American Made
8 Before
9 Your War
10 Despair (featuring Dave Peters)

Esse final de ano, tem sido de muita importância para o metal cristão, pois grandes ícones estão lançando seus novo álbuns, tais como Bloodgood, Bride, Stryper, Impending Doom e saudoso Living Sacrifice.
Fiquem por dentro das novidades, continuam acessando nosso blog e curtam  nossa página.https://www.facebook.com/Cristianismounderground

terça-feira, 8 de outubro de 2013 0 comentários

O legado da Reforma Protestante

Por Alexandre Amin de Oliveira


Que dias gloriosos, quando o homem retornou ao entendimento de que deveria viver para a Glória do seu Senhor; e que para isto, as Sagradas Escrituras bastavam.

Dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da Igreja-Castelo de Wittenberg suas 95 Teses, que tratavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé somente. Este foi o estopim da Reforma Protestante, que há anos vinha sendo abastecida com muita pólvora, e que quando foi acesa abalou o mundo.

Mas a única forma de entender o que foi a Reforma e o que ela significou para a história do cristianismo é analisando a situação espiritual da época.

Três tipos de ansiedade estavam presentes na Baixa Idade Média: Morte, culpa e perda de sentido. Estes sintomas tinham causas profundas, que começavam com a intensa crise agrária e se intensificavam com as pestes que devastaram pelo menos um terço da população europeia.

A morte era um tema usual, e a igreja vigente tomou proveito desta situação para expandir seu domínio religioso e político.

Entre os muitos abusos do catolicismo medieval, se encontram: O abuso papal, com a implementação de um complexo sistema de penitências visando lucro e não o arrependimento; A pretensão papal, ou seja, a reivindicação papal quanto à autoridade apostólica como cabeça da igreja, considerando a si mesmo santo e infalível, o vigário de Cristo; O cativeiro da Palavra, quando a leitura e a interpretação bíblica estava somente em poder dos eruditos e bispos; A exaltação do monasticismo, de forma que acreditava-se que aqueles que viviam em mosteiros viviam uma vida espiritual superior; A mediação usurpada, que era a crença de que a humanidade poderia recorrer à Maria, aos santos e aos sacramentos como forma de obter mediação com Deus; O papel das boas obras, afirmando que para a graça não bastava para a salvação; entre muitos outros abusos.

A resposta protestante a estes abusos deu-se em cinco gritos de guerra ou lemas da Reforma:

(1) Sola Scriptura – Somente a Escritura possui autoridade absoluta, de forma que  os cristãos devem ser guiados pela Bíblia, a igreja deve se submeter aos seus ensinamentos e os governantes devem subordinar-se aos valores da Palavra de Deus.

(2) Sola Gratia –  Somente a Graça, ensinando que nossa salvação é iniciado e completada apenas pela Graça Soberana de Deus.

(3) Sola Fide –  Somente a Fé é o meio pela qual a justificação chega ao pecador.

(4) Solus Christus –  Somente Cristo, tanto a graça quanto a fé enfatizam que a salvação é somente por meio de Cristo, ou seja, Cristo é o único Salvador.

(5) Soli Deo Gloria –  A Glória somente a Deus, enfatizando que o principal propósito do homem é glorificar a Deus em todas as suas atitudes, e que o principal deleite do homem é louvar a Deus.

Com estes lemas principais, a Reforma Protestante foi tomando forma, e trouxe uma esperança jamais imaginada pelos habitantes da Europa Medieval, uma esperança bíblica que havia sido escondida e manipulada pelos poderosos.

A Reforma tomou proporções inimagináveis, alcançando diversas partes do mundo. Neste ponto deve ser mencionado que a Reforma de forma alguma foi um movimento humano, mas divino, operado pelo Espírito Santo de Deus, que moveu homens dispostos a proclamar as verdades bíblicas a qualquer custo, nem que isto os levasse à morte, como de fato aconteceu. Alguns destes homens foram: John Wycliffe (1324-1384) e John Hus (1372-1415), os precursores da Reforma; Martinho Lutero (1483-1546) e Ulrico Zuínglio (1484-1531), os Reformadores da Primeira Geração; João Calvino (1509-1564), Philip Melanchthon (1497-1560) e John Knox (1513-1572), os Reformadores da Segunda Geração; entre centenas de outros.

Reformar é necessário, e este era o lema de Calvino: “Igreja reformada, sempre se reformando”. Porém, é necessário entender que essa reforma não é inovação, modernização do conteúdo da fé, mas sim restauração do entendimento desse conteúdo, e isso implica em olhar para frente compreendendo o que a relação em Cristo nos legou. Assim, a questão não se impõe com novos métodos, mas sim com o velho método, que nos faz voltar sempre à Palavra, extraindo dela aquilo que de fato ela ensina. A Palavra é a referência, e assim deve permanecer.

Cremos que a vida cristã deve ser dirigida pela Palavra de Deus, por isso devemos produzir Reforma, e acima de tudo sermos reformados, a fim de viver plenamente. Essa foi a promessa de Deus e é o Seu desejo, conforme falou por Josué ao Seu povo: “Não cesses de falar deste livro da Lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido” (Js 1:8).

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013 0 comentários

Rock e Religião: Por que raios existe rock cristão?

Matéria Retirada do site Wiplash

Meu último texto para o Whiplash foi uma lista de 18 músicas de 6 ótimas bandas cristãs e jovens (bandas jovens e bandas cristãs geralmente sofrem algum tipo de rejeição). Não deu muito ibope e alguns dos comentários foram irônicos.
Mas analisando a fundo. Por que mesmo existe rock cristão?

As Origens

Dentre os fãs do rock, há quem cante “God gave rock’n roll to you” e há quem cante “O diabo é o pai do rock”, dentre os “crentelhos” há quem goste do ponto de vista do RAUL SEIXAS e há quem possa até não gostar do KISS, mas certamente citaria LARRY NORMAN, um carinha de cabelos loiros e longos, que era considerado o pai do rock cristão (mesmo que haja controvérsias a esse respeito por conta da banda The Crusaders).
Em um dos seus shows realizados nos anos 2000, pouco antes da sua morte em 2008, Larry contou que na sua pré-adolescência achava engraçada a juventude curtindo Elvis Presley e os pais dizendo que aquilo era música “imoral” e do “capeta”, pois apesar de ser loiro, ele tinha crescido numa comunidade negra, e frequentado uma igreja lá, e dentre toda uma geração que acabara de conhecer aquela sonzera, ele era o único que sabia que na verdade aquilo tinha suas raízes na música tocada nas igrejas cristãs negras.
Logo após contar isso, ele toca sua música provocadora tanto para os “crentelhos” quanto para os rockers antirreligiosos. Com ousadia ele faz a pergunta em tom de desafio, acompanhada por um trocadilho genial (subvertendo completamente o sentido da gíria ‘rock’n roll’):
“I know what's right, I know what's wrong, I don't confuse it.
All I'm really trying to say
Is why should the devil have all the good music?
I feel good every day
'Cause Jesus is the rock and he rolled my blues away.”
Ao contrário do que muitos pensam, o rock cristão não é assim tão novo.
Norman é considerado o pai do rock cristão por que até onde se conhece, foi dele o primeiro álbum completo gravado em estúdio com o estilo musical unido a letras religiosas e é importante saber um pouco sobre ele, sua carreira e sua mensagem, para entender todo o cenário do “rock de Deus”. Esse seu primeiro álbum, “Upon this Rock” (mais um trocadilho, fazendo referência a um texto bíblico – Sobre esta Rocha) foi lançado em 1969 e carrega em si uma qualidade musical, criatividade e primor artístico que fez curvarem vários astros do rock.
Com uma soberba trajetória, Norman possui uma discografia com cerca de 90 títulos e muita criatividade.
Ele influenciou vários artistas cristãos e não cristãos. Frank Black do PIXIES chegou a gravar uma versão de “Six-Sixty-Six” no seu álbum FRANK BLACK & THE CATHOLICS, fez citação em “Levitate Me” e foi um dos convidados de Larry num show em Salem em Junho de 2005; Dizzy Reed, do GUNS’N ROSES tocou com Norman no álbum Copper Wires de 1998.
Em 1974, Larry gravou no AIR Studios de GEORGE MARTIN. Por conta de algumas similaridades musicais, seus discos deste ano acabaram sendo comparados aos BEATLES e numa entrevista sobre o assunto, PAUL MCCARTNEY disse que Norman poderia ter sido um dos mais significativos artistas dos anos 70, se ele não se restringisse a temas espirituais.
O fato é que Norman fez algo único: não foi apenas a estética musical do rock’n roll que ele adotou, ele usou também a linguagem, uma versão subvertida dos conceitos e falou sobre coisas espirituais dentro de assuntos corriqueiros e sociais.
Isso foi em parte fruto do chamado Jesus Movement, que foi uma contracultura que surgiu em resposta à contracultura Hippie (!). O Jesus Movement surgiu entre jovens cristãos que curtiam um estilo de vida livre de rótulos moralistas que tinham mais a ver com sociologia do que com teologia, mas não abriam mão dos seus princípios bíblicos, e Larry foi quem deu voz e música a essa corrente.
E sem medo de defender o que acreditava. Em plena era de valorização do esoterismo e do espiritualismo no meio da nação protestante norte americana, ele compõe sua “Forget Your Hexagram” dizendo mais ou menos o seguinte, em tradução livre:
“Esqueça o seu hexagrama, em breve você vai se sentir bem
Pare de olhar para as estrelas
Você não vive sob os signos
Não mexa com os ciganos
Ou tenha a sua sorte lida
Mantenha a sua mesa no chão
E não ouça os mortos
Você não pode pegar carona em seu caminho para o céu
O diabo fechou as estradas
Você vive e morre uma só vez, sem
Episódios de reencarnação
Você não pode pedir carona para o céu
Ou chegar lá, mas apenas seja bom
As regras foram estabelecidas há muito tempo
Quando os pregos estavam na madeira.”

A Expansão

Depois do sucesso (e polêmica) do Larry, que certamente foi criticado pelos religiosos, o rock cristão, tido como um dos precursores do Contemporary Christian Music, permaneceu por um tempo dentro das raízes do blues e no folk, com artistas como MYLON LEFEVRE, BRUCE COCKBURN, PHIL KEAGGY, dentre outros.
Foi o PETRA e a RESSURECT BAND que trouxeram um pouco mais de peso e distorção à cena. O crescimento foi natural e maior logo após o surgimento do STRYPER e a sua popularização, não só entre o público cristão, como também entre o público não cristão. Eles chegaram a ter vídeos tocados na MTV (To Hell with the Devil era o hit), assim como em rádios mainstream.
A expansão até os primeiros anos 80 foi natural, mas lenta, devido ao conservadorismo que pairava sobre o público, mas no final dos anos 80 e inicio dos anos 90 a quantidade de bandas de rock e heavy metal com letras que falavam da crença protestante cresceu e originou bandas de diversos subgêneros. O rock cristão nos dias de hoje é aceito com naturalidade pela juventude que cresceu nos anos 90, e apesar de grande aceitação, ainda não é bem recebido em todos os lugares.

A Controvérsia

É fato que sempre houve uma relação complicada entre religião (mais evidentemente e quase em sua totalidade o cristianismo, para ser mais específico) e o rock, mais pela imagem que um passa para o outro superficialmente, do que pelo estilo musical em si.
No meio dessa linha de fogo, o rock cristão entra como o mais rejeitado: rejeitado pelos cristãos conservadores que sempre associam rock ao que ele representou nos anos 60 e 70, assim como rejeitado também pelos adeptos da filosofia rock’n roll que sempre associam religião a algo que prende as pessoas e inibe o que o rock’n roll prega.
É espantoso pensar em como o rock cristão sobreviveu com tanta resiliência a esses choques vindo de ambos os lados.
Mas isso só se pensarmos superficialmente.
Afinal, quais as chances de sobrevivência de um grupo que une a paixão e o fanatismo religioso à paixão e a atitude rock’n roll?

A Definição

Para responder a pergunta é necessário definir: o que realmente define se uma banda é rock cristão?
É com certa falta de conhecimento que muitos religiosos afirmam que a música calma e suave é a única que eleva ao Sagrado, assim como muitos rockers afirmam que rock é atitude, é estilo, é lutar contra o Sistema (inclusive religioso) e por isso não pode ser associado à religião.
O que acontece é que quando se prende aos padrões, fica difícil se libertar deles. O que muitos ignoram é que ao desfiar-se um padrão, geralmente cria-se um novo.
Antes de ser um estilo de vida, o rock é um estilo de música.
É inegável que existem reações e sentimentos provocados pela música em si, mas por si só, sem as letras, as performances e as informações culturais, música é um fenômeno físico que por si só é moralmente neutro e pode causar diferentes reações em pessoas diferentes, de acordo com as suas experiências e opiniões.
E engana-se quem acha que essa controvérsia ocorre apenas com o rock. A banda TOURNIQUET em sua música “Besprinkled in Scarlet Horror” conta:
“Disseram a Bach há trezentos anos atrás
‘Você trabalha na igreja, há algo que você deve saber
Nós te contratamos para escrever música que glorifique
Mas estas toccatas e fugas simplesmente horrorizam’
Ele disse, ‘São apenas notas colocadas juntas nas barras
E por que vocês acham isso errado?
Eu só levanto os meus braços.’”
Ainda nessa música eles questionam sobre a temática do rock ser geralmente associada (erroneamente) à violência e ao gosto pelo “gore”, perguntando: Por que ignorar as feridas de Jó, a cabeça de João Batista num prato, as pedras que mataram Estevão e o pavor escarlate do Calvário?
No fim das contas, diante de tudo isso, o que define uma banda de rock como cristã?
Definitivamente NÃO é a sonoridade.
Em suma, poderíamos definir o rock cristão como aquele que fala sobre temas cristãos e bíblicos em seu conteúdo lírico. Mas será que é só?
É fato que vários artistas do rock chamado secular tiveram educação cristã e muitos deles mantêm essa fé, assim como existem músicas tocadas por artistas considerados seculares que falam de Cristo. Muitos artistas preferem não misturar as coisas, outros não veem problema nisso.
Assim como, por outro lado, existem diversas bandas compostas integralmente por cristãos e que não falam apenas de Deus e do evangelho em suas músicas – fala-se desde sentimentos até problemas sociais.
Portanto, traçar uma linha definida entre uma banda cristã ou não cristã pela presença de palavras como “Deus”, “Jesus” e “Salvação” na sua música, é ser simplista demais na análise.
A questão vai além das letras: tem a ver com a mensagem da banda. Se você conhecer ambas as coisas, saberá perceber a diferença entre uma mensagem positiva e uma mensagem positiva cristã.

O Motivo

O maior motivo de todas as controvérsias existentes nos dois lados da moeda é simples: falta de conhecimento.
Quem conhece rock e música em geral, sabe que o principal princípio dessa arte é justamente a liberdade de expressão, seja essa expressão antirreligiosa, reacionária ou espiritual. É ser livre para usar a música a favor de uma mensagem ou mesmo de um sentimento.
Qualquer um que restrinja o estilo a temáticas específicas ou exclui temáticas específicas, está ferindo um dos princípios mais básicos da arte e da música.
Assim como quem tem o mínimo de conhecimento correto a respeito do cristianismo, sabe que na Bíblia – o manual de fé dos cristãos – não existe nenhuma ordem específica ou condenação a respeito de estilos musicais específicos e que as restrições são mais culturais do que teológicas.
“Ahh! Mas as origens...” Dane-se as origens. Qualquer estudo vai achar um ponto em comum entre os estilos musicais mais opostos que possam se encontrar.
Além do mais, há algo em comum entre Deus e os movimentos “outsiders”: ambos gostam de subverter o princípio contra o qual estão lutando. Qual melhor maneira de fazer isso?
A última polêmica veio do GHOST, que usa toda uma linguagem religiosa para criticar a religião. Em contrapartida, os cristãos do APOLOGETIX “subvertem” clássicos do rock e do heavy metal secular para pregarem seu evangelho através de paródias (muito bem executadas, por sinal) destes clássicos.
O Stryper, em sua “The Rock that Makes me Roll” foi na contramão da contracultura ao dizer:
“Eles dizem que o rock and roll é forte
Mas Deus é o “rock” (o balanço, a Rocha) que nos faz “roll” (rolar, correr)
Não precisamos de drogas para nos ajudar a seguir em frente
Nós temos o poder d'Ele em nossas almas
Levante-se e lute
Por aquilo que você acredita
Nós sabemos...”
E com essa simples estrofe eles resumem o princípio básico do por que existem letras de protesto e desabafo no rock e também por que o Evangelho pode ser encaixado num contexto de revolução: lutar pelo que se acredita.
Se por um lado o rock’n roll impediu que a religião escravizasse toda a nação americana, o rock cristão do Larry Norman e seus seguidores contribuiu para que a juventude da época conseguisse alcançar um equilíbrio pouco visto entre a certeza da sua fé e o pensamento questionador.
É ignorância sem tamanho dizer que uma coisa é inimiga mortal e não misturável da outra, quando na verdade a atitude do rock unida à mensagem de inconformidade do cristianismo bíblico (livre de convenções religiosas) é algo ainda mais chocante, controverso e polêmico em si, pois questiona não só a falta de religiosidade como questiona também a religião (só dá uma olhadinha nas letras do TOURNIQUET, no “Die religion die” do BRIAN HEAD, no “Liar” do FIREFLIGHT ou no “Jesus Freak” do DCTALK).
Afinal, independente da sua veracidade, se fosse uma mensagem sem força, não seria amada por uns, odiada por outros e discutida por todos.
A pergunta que fica é: até quando os “crentelhos” lutarão contra a própria causa ao reprimir a arte da sua juventude sem base NENHUMA no seu livro-guia? E até quando os “roqueiros” usarão a contradição da “luta contra o Sistema” para justificar seus dogmas tradicionalistas quase religiosos?

Fonte: Rock e Religião: por que raios existe rock cristão? http://whiplash.net/materias/biografias/189282.html#ixzz2gZMa16Jz

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

As 95 Teses de Martinho Lutero

As 95 Teses de Martinho Lutero





por

Martinho Lutero

        

        Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante.

        Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

        Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

       


        1ª Tese

         

        Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

        2ª Tese

          

        E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

        3ª Tese

         

        Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

        4ª Tese

       

        Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

        5ª Tese

          

        O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

        6ª Tese

         

        O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

        7ª Tese

         

        Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

        8ª Tese

         

        Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

       9ª Tese

          

        Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

       10ª Tese

          

        Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

        11ª Tese

         

        Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

        12ª Tese
         

       Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

        13ª Tese

          

        Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

        14ª Tese

         

        Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

       15ª Tese

        

        Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

        16ª Tese

          

        Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

        17ª Tese

         

        Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

        18ª Tese

          

        Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

        19ª Tese

          

       Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

        20ª Tese

          

        Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

        21ª Tese

          

        Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

        22ª Tese

         

        Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

        23ª Tese

          

        Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

        24ª Tese

          

        Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

        25ª Tese

         

        Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

        26ª Tese

   
        O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

        27ª Tese

          

        Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

        28ª Tese

         

       Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

        29ª Tese

         

        E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

        30ª Tese

         

        Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

        31ª Tese

          

        Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

        32ª Tese

        

        Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

        33ª Tese

          

        Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

        34ª Tese

        

        Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

        35ª Tese

         

        Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

        36ª Tese

          

        Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

        37ª Tese

          

        Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

        38ª Tese

          

        Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

        39ª Tese

         

        É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

        40ª Tese

          

        O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

        41ª Tese

         

        É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

        42ª Tese

         

        Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

        43ª Tese

        

        Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

        44ª Tese

         

        Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

        45ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

        46ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

        47ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

        48ª Tese

       

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

        49ª Tese

          

        Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

        50ª Tese

         

        Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

        51ª Tese

       

        Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

        52º Tese

          

        Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

        53ª Tese

         

        São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

        54ª Tese

          

        Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

        55ª Tese

          

        A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

        56ª Tese

          

        Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

        57ª Tese

          

        Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

        58ª Tese

         

        Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

       59ª Tese

         

        São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

        60ª Tese

 
       Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

       61ª Tese

        

        Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

        62ª Tese

          

        O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

        63ª Tese

        

        Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

        64ª Tese

         

        Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

        65ª Tese

         

        Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

        66ª Tese

         

        Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

        67ª Tese
       

       As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

        68ª Tese

        

        Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

        69ª Tese

          

        Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-

        70ª Tese

          

        Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

       71ª Tese

          

        Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

        72ª Tese

         

       Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

        73ª Tese

          

        Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

        74ª Tese

        

        Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

        75ª Tese

        

       Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

        78 ª Tese

          

        Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

        77ª Tese

          

        Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

        78ª Tese

          

        Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

        79ª Tese

         

        Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

        80ª Tese

          

        Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

        81ª Tese

          

        Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

        82 ª Tese

          

        Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

        83ª Tese

          

        Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

        84ª Tese

        

       Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

        85ª Tese

          

        Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

        86ª Tese

        

       Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

        87ª Tese

          

        Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

        88ª Tese

        

        Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

        89ª Tese

          

        Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

        90ª Tese

        

        Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

        91ª Tese

   

        Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

        92ª Tese

         
        Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

        93ª Tese


        Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

        94ª Tese

               Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

        95ª Tese
         
       E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Fontes: Monergismo

Feliz 496 Anos da Reforma Protestante
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

A lenda do metal cristão "Bride" Anuncia seu fim



Dale Thompson vocalista e líder da lenda do metal cristão "Bride" anunciou em português em seu facebook
que após o lançamento do  novo álbum "Incorruptible" no fim de outubro encerará  suas atividades.
Esse será o último álbum do Bride, uma excelente banda que deixou seu legado, com os excelentes vocais do Dale, e  grandes álbuns clássicos como: Snakes In The Playground, Kinetic Faith, End Of The Age, Silence Is Madness, Scarecrow Messiah, entre outros. Vários shows aqui no nosso Brasil.
Tudo que é bom, tem um final. E agora é a vez do Bride.

Fontes: Facebook Dale Thompson

Mais uma banda que anuncia seu fim, agora temos o Deliverance, Mortification e o Bride, mas esse ano de 2013, foi excelente para o metal cristão, pois tivermos/teremos lançamentos de álbum grandes bandas que também assim como o Bride marcaram o metal cristão, temos novo álbum do Stryper, Bloodgood, Deliverance, WhiteHeart, Living Sacrifice, Extol ...

Abaixo ouça músicas prévia do novo álbum, postado pelo próprio D.Thompson.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

"The Church Reborn in flames" vol.1

Saudações galera, é com um imenso prazer que lhes apresento a primeira coletânea de metal extremo de nossa página, a “The Church Reborn In Flames” é voltada para galera do cenário Christian Black Metal ou Un'Black Metal, variando desde o Symphonic black metal até o Raw black metal. Curtam e compartilhem, vamos juntos levar a mensagem de Cristo. O nome da coletânea sugerido por Edy Marques, faz referência as igrejas queimadas pelo Varg músico fundador da banda "Burzum". Apesar dessas atitudes e ataques, a igreja de Cristo, permanece firme e fiel, não apenas restrita a templos, mas se entendendo ao corações de cada Cristão. Coletânea feita por Alberson Ferreira, administrador da nossa página no facebook.

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Tracklist
01 - Satanic Emperor - Imperial Dusk
02 - Reach For The Sky - Grave Declaration
03 - Judgement -Nephesh The Last
04 -A Song For the Immortals - Cerimonial Sacred
05 - Veni Sancte Spiritus - Bleakwail
06 - Crush the Bloodied Horns of the Goat -Horde
07 - Dogs of Antichrist - Demoniciduth
08 - Without A Veil Concealing My Sight- Shadows Of Paragon
09 - Silence The Blasphemous Chanting - Horde
10 - Shadows Of Death - Wintersoul
11 - Besieged - Slechtvalk
12 - Christ Is Lord, There Is No Other - O, Majestic Winter
Download:

Em breve mais novidades!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lançamento do novo álbum "Ghost Thief" do Living Sacrifice

A banda Living Sacrifice anunciou em sua página no facebook, o lançamento do novo álbum
intitulado de "Ghost Thief" que será lançado no dia 11 de novembro de 2013.
Segue abaixo a arte da capa e o tracklist.  Destaque para primeira faixa que terá participação
especial do Ryan Clark vocalista do Demon Hunter, que no álbum Storm The Gates of Hell do
Demon Hunter, convidou o Bruce Fitzhugh para participar da faixa "Sixteen".





Tracklist
1 Screwtape (featuring Ryan Clark)
2 Ghost Thief
3 The Reaping
4 Straw Man
5 Sudden
6 Mask
7 American Made
8 Before
9 Your War
10 Despair (featuring Dave Peters)

Esse final de ano, tem sido de muita importância para o metal cristão, pois grandes ícones estão lançando seus novo álbuns, tais como Bloodgood, Bride, Stryper, Impending Doom e saudoso Living Sacrifice.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

O legado da Reforma Protestante

Por Alexandre Amin de Oliveira


Que dias gloriosos, quando o homem retornou ao entendimento de que deveria viver para a Glória do seu Senhor; e que para isto, as Sagradas Escrituras bastavam.

Dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da Igreja-Castelo de Wittenberg suas 95 Teses, que tratavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé somente. Este foi o estopim da Reforma Protestante, que há anos vinha sendo abastecida com muita pólvora, e que quando foi acesa abalou o mundo.

Mas a única forma de entender o que foi a Reforma e o que ela significou para a história do cristianismo é analisando a situação espiritual da época.

Três tipos de ansiedade estavam presentes na Baixa Idade Média: Morte, culpa e perda de sentido. Estes sintomas tinham causas profundas, que começavam com a intensa crise agrária e se intensificavam com as pestes que devastaram pelo menos um terço da população europeia.

A morte era um tema usual, e a igreja vigente tomou proveito desta situação para expandir seu domínio religioso e político.

Entre os muitos abusos do catolicismo medieval, se encontram: O abuso papal, com a implementação de um complexo sistema de penitências visando lucro e não o arrependimento; A pretensão papal, ou seja, a reivindicação papal quanto à autoridade apostólica como cabeça da igreja, considerando a si mesmo santo e infalível, o vigário de Cristo; O cativeiro da Palavra, quando a leitura e a interpretação bíblica estava somente em poder dos eruditos e bispos; A exaltação do monasticismo, de forma que acreditava-se que aqueles que viviam em mosteiros viviam uma vida espiritual superior; A mediação usurpada, que era a crença de que a humanidade poderia recorrer à Maria, aos santos e aos sacramentos como forma de obter mediação com Deus; O papel das boas obras, afirmando que para a graça não bastava para a salvação; entre muitos outros abusos.

A resposta protestante a estes abusos deu-se em cinco gritos de guerra ou lemas da Reforma:

(1) Sola Scriptura – Somente a Escritura possui autoridade absoluta, de forma que  os cristãos devem ser guiados pela Bíblia, a igreja deve se submeter aos seus ensinamentos e os governantes devem subordinar-se aos valores da Palavra de Deus.

(2) Sola Gratia –  Somente a Graça, ensinando que nossa salvação é iniciado e completada apenas pela Graça Soberana de Deus.

(3) Sola Fide –  Somente a Fé é o meio pela qual a justificação chega ao pecador.

(4) Solus Christus –  Somente Cristo, tanto a graça quanto a fé enfatizam que a salvação é somente por meio de Cristo, ou seja, Cristo é o único Salvador.

(5) Soli Deo Gloria –  A Glória somente a Deus, enfatizando que o principal propósito do homem é glorificar a Deus em todas as suas atitudes, e que o principal deleite do homem é louvar a Deus.

Com estes lemas principais, a Reforma Protestante foi tomando forma, e trouxe uma esperança jamais imaginada pelos habitantes da Europa Medieval, uma esperança bíblica que havia sido escondida e manipulada pelos poderosos.

A Reforma tomou proporções inimagináveis, alcançando diversas partes do mundo. Neste ponto deve ser mencionado que a Reforma de forma alguma foi um movimento humano, mas divino, operado pelo Espírito Santo de Deus, que moveu homens dispostos a proclamar as verdades bíblicas a qualquer custo, nem que isto os levasse à morte, como de fato aconteceu. Alguns destes homens foram: John Wycliffe (1324-1384) e John Hus (1372-1415), os precursores da Reforma; Martinho Lutero (1483-1546) e Ulrico Zuínglio (1484-1531), os Reformadores da Primeira Geração; João Calvino (1509-1564), Philip Melanchthon (1497-1560) e John Knox (1513-1572), os Reformadores da Segunda Geração; entre centenas de outros.

Reformar é necessário, e este era o lema de Calvino: “Igreja reformada, sempre se reformando”. Porém, é necessário entender que essa reforma não é inovação, modernização do conteúdo da fé, mas sim restauração do entendimento desse conteúdo, e isso implica em olhar para frente compreendendo o que a relação em Cristo nos legou. Assim, a questão não se impõe com novos métodos, mas sim com o velho método, que nos faz voltar sempre à Palavra, extraindo dela aquilo que de fato ela ensina. A Palavra é a referência, e assim deve permanecer.

Cremos que a vida cristã deve ser dirigida pela Palavra de Deus, por isso devemos produzir Reforma, e acima de tudo sermos reformados, a fim de viver plenamente. Essa foi a promessa de Deus e é o Seu desejo, conforme falou por Josué ao Seu povo: “Não cesses de falar deste livro da Lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido” (Js 1:8).

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rock e Religião: Por que raios existe rock cristão?

Matéria Retirada do site Wiplash

Meu último texto para o Whiplash foi uma lista de 18 músicas de 6 ótimas bandas cristãs e jovens (bandas jovens e bandas cristãs geralmente sofrem algum tipo de rejeição). Não deu muito ibope e alguns dos comentários foram irônicos.
Mas analisando a fundo. Por que mesmo existe rock cristão?

As Origens

Dentre os fãs do rock, há quem cante “God gave rock’n roll to you” e há quem cante “O diabo é o pai do rock”, dentre os “crentelhos” há quem goste do ponto de vista do RAUL SEIXAS e há quem possa até não gostar do KISS, mas certamente citaria LARRY NORMAN, um carinha de cabelos loiros e longos, que era considerado o pai do rock cristão (mesmo que haja controvérsias a esse respeito por conta da banda The Crusaders).
Em um dos seus shows realizados nos anos 2000, pouco antes da sua morte em 2008, Larry contou que na sua pré-adolescência achava engraçada a juventude curtindo Elvis Presley e os pais dizendo que aquilo era música “imoral” e do “capeta”, pois apesar de ser loiro, ele tinha crescido numa comunidade negra, e frequentado uma igreja lá, e dentre toda uma geração que acabara de conhecer aquela sonzera, ele era o único que sabia que na verdade aquilo tinha suas raízes na música tocada nas igrejas cristãs negras.
Logo após contar isso, ele toca sua música provocadora tanto para os “crentelhos” quanto para os rockers antirreligiosos. Com ousadia ele faz a pergunta em tom de desafio, acompanhada por um trocadilho genial (subvertendo completamente o sentido da gíria ‘rock’n roll’):
“I know what's right, I know what's wrong, I don't confuse it.
All I'm really trying to say
Is why should the devil have all the good music?
I feel good every day
'Cause Jesus is the rock and he rolled my blues away.”
Ao contrário do que muitos pensam, o rock cristão não é assim tão novo.
Norman é considerado o pai do rock cristão por que até onde se conhece, foi dele o primeiro álbum completo gravado em estúdio com o estilo musical unido a letras religiosas e é importante saber um pouco sobre ele, sua carreira e sua mensagem, para entender todo o cenário do “rock de Deus”. Esse seu primeiro álbum, “Upon this Rock” (mais um trocadilho, fazendo referência a um texto bíblico – Sobre esta Rocha) foi lançado em 1969 e carrega em si uma qualidade musical, criatividade e primor artístico que fez curvarem vários astros do rock.
Com uma soberba trajetória, Norman possui uma discografia com cerca de 90 títulos e muita criatividade.
Ele influenciou vários artistas cristãos e não cristãos. Frank Black do PIXIES chegou a gravar uma versão de “Six-Sixty-Six” no seu álbum FRANK BLACK & THE CATHOLICS, fez citação em “Levitate Me” e foi um dos convidados de Larry num show em Salem em Junho de 2005; Dizzy Reed, do GUNS’N ROSES tocou com Norman no álbum Copper Wires de 1998.
Em 1974, Larry gravou no AIR Studios de GEORGE MARTIN. Por conta de algumas similaridades musicais, seus discos deste ano acabaram sendo comparados aos BEATLES e numa entrevista sobre o assunto, PAUL MCCARTNEY disse que Norman poderia ter sido um dos mais significativos artistas dos anos 70, se ele não se restringisse a temas espirituais.
O fato é que Norman fez algo único: não foi apenas a estética musical do rock’n roll que ele adotou, ele usou também a linguagem, uma versão subvertida dos conceitos e falou sobre coisas espirituais dentro de assuntos corriqueiros e sociais.
Isso foi em parte fruto do chamado Jesus Movement, que foi uma contracultura que surgiu em resposta à contracultura Hippie (!). O Jesus Movement surgiu entre jovens cristãos que curtiam um estilo de vida livre de rótulos moralistas que tinham mais a ver com sociologia do que com teologia, mas não abriam mão dos seus princípios bíblicos, e Larry foi quem deu voz e música a essa corrente.
E sem medo de defender o que acreditava. Em plena era de valorização do esoterismo e do espiritualismo no meio da nação protestante norte americana, ele compõe sua “Forget Your Hexagram” dizendo mais ou menos o seguinte, em tradução livre:
“Esqueça o seu hexagrama, em breve você vai se sentir bem
Pare de olhar para as estrelas
Você não vive sob os signos
Não mexa com os ciganos
Ou tenha a sua sorte lida
Mantenha a sua mesa no chão
E não ouça os mortos
Você não pode pegar carona em seu caminho para o céu
O diabo fechou as estradas
Você vive e morre uma só vez, sem
Episódios de reencarnação
Você não pode pedir carona para o céu
Ou chegar lá, mas apenas seja bom
As regras foram estabelecidas há muito tempo
Quando os pregos estavam na madeira.”

A Expansão

Depois do sucesso (e polêmica) do Larry, que certamente foi criticado pelos religiosos, o rock cristão, tido como um dos precursores do Contemporary Christian Music, permaneceu por um tempo dentro das raízes do blues e no folk, com artistas como MYLON LEFEVRE, BRUCE COCKBURN, PHIL KEAGGY, dentre outros.
Foi o PETRA e a RESSURECT BAND que trouxeram um pouco mais de peso e distorção à cena. O crescimento foi natural e maior logo após o surgimento do STRYPER e a sua popularização, não só entre o público cristão, como também entre o público não cristão. Eles chegaram a ter vídeos tocados na MTV (To Hell with the Devil era o hit), assim como em rádios mainstream.
A expansão até os primeiros anos 80 foi natural, mas lenta, devido ao conservadorismo que pairava sobre o público, mas no final dos anos 80 e inicio dos anos 90 a quantidade de bandas de rock e heavy metal com letras que falavam da crença protestante cresceu e originou bandas de diversos subgêneros. O rock cristão nos dias de hoje é aceito com naturalidade pela juventude que cresceu nos anos 90, e apesar de grande aceitação, ainda não é bem recebido em todos os lugares.

A Controvérsia

É fato que sempre houve uma relação complicada entre religião (mais evidentemente e quase em sua totalidade o cristianismo, para ser mais específico) e o rock, mais pela imagem que um passa para o outro superficialmente, do que pelo estilo musical em si.
No meio dessa linha de fogo, o rock cristão entra como o mais rejeitado: rejeitado pelos cristãos conservadores que sempre associam rock ao que ele representou nos anos 60 e 70, assim como rejeitado também pelos adeptos da filosofia rock’n roll que sempre associam religião a algo que prende as pessoas e inibe o que o rock’n roll prega.
É espantoso pensar em como o rock cristão sobreviveu com tanta resiliência a esses choques vindo de ambos os lados.
Mas isso só se pensarmos superficialmente.
Afinal, quais as chances de sobrevivência de um grupo que une a paixão e o fanatismo religioso à paixão e a atitude rock’n roll?

A Definição

Para responder a pergunta é necessário definir: o que realmente define se uma banda é rock cristão?
É com certa falta de conhecimento que muitos religiosos afirmam que a música calma e suave é a única que eleva ao Sagrado, assim como muitos rockers afirmam que rock é atitude, é estilo, é lutar contra o Sistema (inclusive religioso) e por isso não pode ser associado à religião.
O que acontece é que quando se prende aos padrões, fica difícil se libertar deles. O que muitos ignoram é que ao desfiar-se um padrão, geralmente cria-se um novo.
Antes de ser um estilo de vida, o rock é um estilo de música.
É inegável que existem reações e sentimentos provocados pela música em si, mas por si só, sem as letras, as performances e as informações culturais, música é um fenômeno físico que por si só é moralmente neutro e pode causar diferentes reações em pessoas diferentes, de acordo com as suas experiências e opiniões.
E engana-se quem acha que essa controvérsia ocorre apenas com o rock. A banda TOURNIQUET em sua música “Besprinkled in Scarlet Horror” conta:
“Disseram a Bach há trezentos anos atrás
‘Você trabalha na igreja, há algo que você deve saber
Nós te contratamos para escrever música que glorifique
Mas estas toccatas e fugas simplesmente horrorizam’
Ele disse, ‘São apenas notas colocadas juntas nas barras
E por que vocês acham isso errado?
Eu só levanto os meus braços.’”
Ainda nessa música eles questionam sobre a temática do rock ser geralmente associada (erroneamente) à violência e ao gosto pelo “gore”, perguntando: Por que ignorar as feridas de Jó, a cabeça de João Batista num prato, as pedras que mataram Estevão e o pavor escarlate do Calvário?
No fim das contas, diante de tudo isso, o que define uma banda de rock como cristã?
Definitivamente NÃO é a sonoridade.
Em suma, poderíamos definir o rock cristão como aquele que fala sobre temas cristãos e bíblicos em seu conteúdo lírico. Mas será que é só?
É fato que vários artistas do rock chamado secular tiveram educação cristã e muitos deles mantêm essa fé, assim como existem músicas tocadas por artistas considerados seculares que falam de Cristo. Muitos artistas preferem não misturar as coisas, outros não veem problema nisso.
Assim como, por outro lado, existem diversas bandas compostas integralmente por cristãos e que não falam apenas de Deus e do evangelho em suas músicas – fala-se desde sentimentos até problemas sociais.
Portanto, traçar uma linha definida entre uma banda cristã ou não cristã pela presença de palavras como “Deus”, “Jesus” e “Salvação” na sua música, é ser simplista demais na análise.
A questão vai além das letras: tem a ver com a mensagem da banda. Se você conhecer ambas as coisas, saberá perceber a diferença entre uma mensagem positiva e uma mensagem positiva cristã.

O Motivo

O maior motivo de todas as controvérsias existentes nos dois lados da moeda é simples: falta de conhecimento.
Quem conhece rock e música em geral, sabe que o principal princípio dessa arte é justamente a liberdade de expressão, seja essa expressão antirreligiosa, reacionária ou espiritual. É ser livre para usar a música a favor de uma mensagem ou mesmo de um sentimento.
Qualquer um que restrinja o estilo a temáticas específicas ou exclui temáticas específicas, está ferindo um dos princípios mais básicos da arte e da música.
Assim como quem tem o mínimo de conhecimento correto a respeito do cristianismo, sabe que na Bíblia – o manual de fé dos cristãos – não existe nenhuma ordem específica ou condenação a respeito de estilos musicais específicos e que as restrições são mais culturais do que teológicas.
“Ahh! Mas as origens...” Dane-se as origens. Qualquer estudo vai achar um ponto em comum entre os estilos musicais mais opostos que possam se encontrar.
Além do mais, há algo em comum entre Deus e os movimentos “outsiders”: ambos gostam de subverter o princípio contra o qual estão lutando. Qual melhor maneira de fazer isso?
A última polêmica veio do GHOST, que usa toda uma linguagem religiosa para criticar a religião. Em contrapartida, os cristãos do APOLOGETIX “subvertem” clássicos do rock e do heavy metal secular para pregarem seu evangelho através de paródias (muito bem executadas, por sinal) destes clássicos.
O Stryper, em sua “The Rock that Makes me Roll” foi na contramão da contracultura ao dizer:
“Eles dizem que o rock and roll é forte
Mas Deus é o “rock” (o balanço, a Rocha) que nos faz “roll” (rolar, correr)
Não precisamos de drogas para nos ajudar a seguir em frente
Nós temos o poder d'Ele em nossas almas
Levante-se e lute
Por aquilo que você acredita
Nós sabemos...”
E com essa simples estrofe eles resumem o princípio básico do por que existem letras de protesto e desabafo no rock e também por que o Evangelho pode ser encaixado num contexto de revolução: lutar pelo que se acredita.
Se por um lado o rock’n roll impediu que a religião escravizasse toda a nação americana, o rock cristão do Larry Norman e seus seguidores contribuiu para que a juventude da época conseguisse alcançar um equilíbrio pouco visto entre a certeza da sua fé e o pensamento questionador.
É ignorância sem tamanho dizer que uma coisa é inimiga mortal e não misturável da outra, quando na verdade a atitude do rock unida à mensagem de inconformidade do cristianismo bíblico (livre de convenções religiosas) é algo ainda mais chocante, controverso e polêmico em si, pois questiona não só a falta de religiosidade como questiona também a religião (só dá uma olhadinha nas letras do TOURNIQUET, no “Die religion die” do BRIAN HEAD, no “Liar” do FIREFLIGHT ou no “Jesus Freak” do DCTALK).
Afinal, independente da sua veracidade, se fosse uma mensagem sem força, não seria amada por uns, odiada por outros e discutida por todos.
A pergunta que fica é: até quando os “crentelhos” lutarão contra a própria causa ao reprimir a arte da sua juventude sem base NENHUMA no seu livro-guia? E até quando os “roqueiros” usarão a contradição da “luta contra o Sistema” para justificar seus dogmas tradicionalistas quase religiosos?

Fonte: Rock e Religião: por que raios existe rock cristão? http://whiplash.net/materias/biografias/189282.html#ixzz2gZMa16Jz

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